O CEO da Palantir, Alex Karp, voltou à carga contra a OpenAI e a Anthropic – acusando as duas gigantes de estarem “tentando nos viciar” em um modelo em que elas estarão no controle.
“Há pessoas tentando nos viciar em um futuro que elas acreditam controlar,” Karp disse à CNBC numa entrevista na segunda à noite, depois da divulgação dos resultados estratosféricos da Palantir.
“Passei muito tempo com Dario [Amodei] e a equipe da Anthropic. Eles querem nos convencer de que precisamos caminhar em direção a um futuro no qual nós não somos donos de nada, nossas empresas não são lucrativas, ninguém tem emprego e nossos adversários saem vitoriosos,” disse Karp.

Reforçando comentários que já havia feito à CNBC no mês passado, Karp disse que as empresas que contratam os LLMs da OpenAI e Anthropic estão abrindo mão do valor intrínseco de seus negócios, porque os LLMs “ficam com os dados” do cliente e “levam o alfa (o valor criado),” sem entregar valor nenhum.
Já a Palantir integra os LLMs com os dados e sistemas legados dos clientes, mas usando uma camada de aplicação semântica e operacional batizada de Ontology. Esta ‘application layer’ protege os dados e a propriedade intelectual do cliente, mantendo-o em controle e gerando valor.
A discussão de fundo, para Karp, não é entre o modelo de AI fechado, defendido pela OpenAI e Anthropic, ou o de código aberto, promovido pela Meta e as tech chinesas. A questão central, disse o CEO da Palantir, é ter uma “AI soberana”.
“Todas as empresas com as quais interagimos – incluindo algumas das maiores e mais importantes empresas governamentais do mundo – questionam: ‘Por que adotaríamos a ‘tokenização’ [modelo de pagamento por uso de tokens empregados pela AI] e gastaríamos dinheiro com algo que não é útil, para depois não controlar os meios que nos permitem expandir nossos negócios e, ao mesmo tempo, manter o valor do negócio internamente?’,” disse Karp.
A Anthropic e a OpenAI afirmam que os dados dos clientes estão seguros e não são utilizados para treinar seus modelos – mas há uma crescente suspeita de que não seja bem assim.
Referindo-se à Anthropic de Amodei, Karp disse que “eles têm uma filosofia que diz basicamente o seguinte: ‘Eu sou o dono do futuro. Portanto, você deve transferir o valor do seu negócio para mim e ficar satisfeito com uma parcela residual’.”
Para ele, a única forma de Amodei, “uma pessoa profundamente ética”, conseguir justificar o que faz – a transferência de valor do cliente para a Anthropic – é acreditar que ele está criando “um futuro melhor” com a AI. Infelizmente, este futuro só é melhor para a Anthropic, disse Karp.
Para ele, o fato de a China utilizar a destilação de modelos para copiar a AI das empresas americanas não é um grande problema, uma vez que os modelos de fronteira dos EUA fazem algo parecido.
“Como você acha que esses modelos adquiriram seu valor? Eles destilaram todo o valor da propriedade intelectual de toda parte – inclusive do setor corporativo,” disse Karp. “Estamos em uma batalha aqui.”
Karp vem sendo um dos líderes de um movimento pela soberania em AI como uma missão central da indústria de tecnologia.
O CEO da Palantir tratou também desses temas na carta aos acionistas.
“Todas as organizações do mundo estão despertando para os riscos de entregar as chaves de suas instituições aos criadores dos LLMs,” escreveu Karp.

O fundador da Palantir, que estudou filosofia e teoria social, fez uma analogia com o marxismo para descrever a luta de forças no mundo das corporações capitalistas. “Há nuances e conotações marxistas em nosso negócio,” escreveu.
De acordo com Karp, “muitos daqueles que desenvolvem LLMs pretendem, consciente ou inconscientemente, apropriar-se dos meios de produção de seus supostos parceiros.”
“As limitações e falhas do ‘complexo industrial de tokens’ – que ameaçava subjugar e dominar a economia mundial – têm sido cada vez mais expostas,” disse Karp. “Sempre recusamos, e continuaremos a recusar, estabelecer uma relação parasitária com nossos parceiros.”
Concorde-se ou não com Karp, o modelo de alinhamento da Palantir está funcionando. A Palantir reportou um faturamento de US$ 1,9 bilhão no trimestre, uma alta de 93% em relação ao mesmo período de 2025. O faturamento nos EUA cresceu 115%.
O lucro ficou em US$ 1,1 bilhão – mais do que o total das vendas no mesmo tri do ano passado.
Com os resultados batendo o consenso, a ação da Palantir disparou 29% ontem na Nasdaq. No ano, o papel ainda acumula queda de 9%.
A empresa agora vale US$ 390 bilhões na NYSE.






