A Goldman Sachs está bearish com o mercado de petróleo, mesmo em um cenário-base que não considera qualquer aumento de produção rápido na Venezuela.

O banco americano projeta que o barril do Brent deve cair para US$ 55 nos próximos meses, dos cerca de US$ 60 atuais. 

O excesso de oferta continua sendo o principal fator baixista, com os analistas ponderando que uma eventual recuperação da indústria petrolífera venezuelana depois da captura de Maduro não é garantida e pode levar anos.

O cenário geopolítico também traz diversos riscos para os preços, “mas principalmente para baixo,” segundo uma apresentação da Goldman a investidores na Califórnia.

Num cenário de recuperação de produção na Venezuela – ou mesmo na Rússia, no caso de um acordo de paz na Ucrânia e alívio de sanções – o Brent poderia despencar para a casa dos US$ 50 entre o segundo e terceiro trimestre, na visão do banco. Essa hipótese considera que russos e venezuelanos conseguiriam juntos acrescentar 1 milhão de barris adicionais à oferta global até 2027. 

As projeções da Goldman são mais pessimistas que os números da Petrobras, que em seu último Plano de Negócios, para 2026-2030, adotou como premissa um preço médio do Brent a US$ 63 este ano. 

A concretização de preços mais baixos poderia forçar a estatal a rever planos de investimentos – e dividendos. 

O cenário-base da Goldman é de redução gradual nos preços do petróleo até o terceiro tri, quando o Brent chegaria à mínima de US$ 55, para depois voltar lentamente aos patamares atuais, até o final do ano. 

Num cenário em que houvesse desaceleração do crescimento econômico, o Brent poderia desabar a US$ 45 por barril entre abril e outubro. 

No longo prazo, porém, o banco acredita que o petróleo voltará a subir, com a onda de crescimento da oferta desacelerando a partir de 2027. No próximo ano, o Brent poderia começar na casa dos US$ 60 e encerrar a US$ 70 por barril. 

Pelas premissas atuais da Petrobras, a média para o Brent no ano que vem ficaria em US$70 — uma previsão considerada otimista pelo mercado, que chegou a impactar negativamente o preço da ação da companhia no dia da divulgação do Plano de Negócios. 

A Goldman alerta, no entanto, que a geopolítica poderia gerar uma nova onda de oferta, mantendo os preços pressionados. Alguma produção adicional de Venezuela e Rússia poderia colocar um teto de US$ 60 para o Brent ao final de 2027.