A Oncoclínicas está em conversas avançadas para que Irlau Machado – o ex-CEO da NotreDame Intermédica – seja seu novo CEO, fontes a par do assunto disseram ao Brazil Journal.
Irlau substituiria o fundador, Bruno Ferrari, que passaria a chairman.
A escolha de Irlau é resultado de um processo conduzido pela Spencer Stuart desde novembro. A empresa e o executivo estão acertando os últimos detalhes para que o nome seja submetido ao novo conselho da Oncoclínicas, que foi eleito ontem e deve tomar posse esta semana.

As mudanças são reflexo do protagonismo da gestora de special situations Latache, hoje a segunda maior acionista da Oncoclínicas, com 14,62% do capital.
A Latache começou a comprar ações da companhia no começo do ano passado. Ao mesmo tempo, a Goldman Sachs começou a transferir a participação que detinha na Oncoclínicas por meio de um fundo de private equity para o fundo Centaurus, hoje o principal acionista da Oncoclínicas com 18,3% de participação.
A Latache questionou essas operações na CVM e pediu um posicionamento da autarquia sobre a necessidade de a Centaurus fazer uma OPA para os demais acionistas, já que a participação acima de 15% teria disparado uma poison pill do estatuto da Oncoclínicas.
A Goldman afirma que a Centaurus era o principal cotista de seu fundo de private equity, e, portanto, já era acionista da companhia. O processo segue em análise na CVM.
Enquanto aguarda um desfecho da análise da OPA pelo regulador, a Latache vem ganhando poder na gestão da empresa, alinhada com Ferrari e outros acionistas. Desde o ano passado, colocou no conselho um de seus sócios, Marcel Cecchi Vieira.
O plano da Latache é levar a Oncoclínicas “back to basics”, como o próprio Ferrari já disse ao Brazil Journal.
A empresa chegou à Bolsa em 2021 como uma clínica especializada no tratamento de câncer, mas acabou desviando seu foco com aquisições de hospitais e a criação de uma JV na Arábia Saudita.

A empresa tinha problemas de alavancagem e um cliente complexo: a Unimed-Rio. A partir do segundo semestre de 2025, com sua ação implodindo na Bolsa, a Oncoclínicas começou a simplificar seu negócio, desinvestindo ativos e rescindindo contratos que não faziam mais sentido.
Para resolver a alavancagem, a companhia fez um aumento de capital de R$ 1,4 bilhão com a conversão de debêntures em novembro. Naquele momento, o quadro acionário da empresa mudou, com a chegada da ARC Capital, a gestora de special sits de Sérgio Machado; Kapitalo; o Banco Original, dos irmãos Batista; Santander Asset; e os irmãos Alexandre e Arnoldo Wald, entre outros.
Em dezembro, com o apoio desses novos acionistas, a Latache pediu uma assembleia para reformular o conselho da Oncoclínicas, que tinha como chairman um indicado da Goldman Sachs, que hoje detém menos de 5% do capital da empresa.
A eleição ocorreu ontem, e a Latache ficou com 5 das 7 cadeiras. Além de Vieira, permaneceram no colegiado o conselheiro profissional Marcelo Gasparino e o fundador Bruno Ferrari. Os outros indicados foram Marcelo Curti, um ex-executivo do Safra que hoje participa dos conselho fiscais da Rumo, Hypera e Lindenberg; e Eduardo Couto, o vp jurídico da Cedro Participações.
A Goldman e a Mak Capital, que tem 6,30% da Oncoclínicas, elegeram dois conselheiros profissionais: Marcos Grodetzky e Raul Rosenthal.
A Oncoclínicas está fora do radar da maior parte dos investidores hoje.
“Essa nem é mais uma empresa, é uma discussão jurídica,” disse um gestor. Além da disputa em relação à OPA, que pode, inclusive, tirar a empresa da Bolsa, a companhia se complicou ainda mais por conta dos problemas no Banco Master.
O Master chegou a ter 14% da empresa, uma participação que foi entregue ao BRB e que, por conta da diluição do aumento de capital, hoje é de 8,8%. Além disso, a empresa tem R$ 986 milhões aplicados em CDBs do banco de Daniel Vorcaro e negocia reaver parte desses valores, tudo a depender do trâmite da liquidação do banco.
“A empresa estava sem foco, com questões de governança e a presença do Master. Virou ininvestível”, disse o gestor.
A chegada de um novo CEO é vista como fundamental para a retomada do negócio. “Ferrari tem o mérito de ter concebido o negócio, mas não é um cara de gestão, principalmente numa empresa com situação financeira mais apertada, como agora,” disse um analista.
Para outro gestor, a chegada de Irlau pode aumentar o interesse pela empresa. “Seria um upgrade na gestão. É um nome conhecido, o investidor estrangeiro gosta e pode atrair um fluxo de compra para a Oncoclínicas,” disse.
Irlau comandou o turnaround da NotreDame, uma empresa controlada pela Bain Capital e depois adquirida pela Hapvida em 2021. Desde então, a empresa dos irmãos Pinheiro enfrenta dificuldades de integração e gestão dos negócios, apresentando resultados fracos. Irlau foi inicialmente co-presidente da Hapvida, mas deixou a companhia em novembro de 2022, surpreendendo o mercado. Meses depois, saiu também do conselho.
“Até 2021 o Irlau era um gênio, depois essa avaliação mudou com a percepção de que ele engordou o porco o máximo possível para abatê-lo gordinho, a estratégia clássica do private equity,” disse outro gestor. “Mas ele conhece muito bem o setor, é um perfil de executivo que a Oncoclínicas não tem em seus quadros. Pode trazer segurança e colocar a empresa num caminho único, já que hoje ela tem vários pais com agendas diferentes. A Latache está de olho na OPA, a Goldman quer vender, e o Bruno quer ficar 20 anos na empresa.”











