A Equatorial Energia iniciou um processo para a potencial venda de sua subsidiária de geração eólica e solar, a Echoenergia, fontes com conhecimento do assunto disseram ao Brazil Journal.
A transação ainda está em fase inicial, com alguns grupos – incluindo a Engie – se preparando para fazer uma due diligence dos ativos, disseram as fontes.
A Equatorial estreou em renováveis justamente com a compra da Echoenergia, em 2021, por R$ 10 bilhões em enterprise value.
Embora reconhecida no mercado por ser uma das melhores alocadoras de capital do setor de energia, a Equatorial “pagou caro” pela Echoenergia e pouco depois ainda viu a indústria de renováveis entrar em uma longa crise que dura até hoje, disse uma das fontes sobre a decisão de venda.

Desde 2023, usinas eólicas e solares têm sofrido com crescentes cortes forçados de produção devido a uma sobreoferta de energia no sistema, o que prejudicou a receita das empresas do setor e afastou investimentos.
O problema, conhecido como curtailment, não era uma questão relevante até então – pouco antes, a venda da Echoenergia por sua controladora anterior, a Actis, havia atraído ofertas de mais de 10 interessados, com o mercado de renováveis em seu auge no País.
Com a crise no setor, a Equatorial sondou possíveis compradores para ativos isolados da Echoenergia há cerca de dois anos, mas não fechou negócio justamente porque o curtailment dificulta um acordo sobre o preço.
Agora, o Governo acaba de publicar um decreto regulamentando um ressarcimento parcial das perdas com os cortes, depois de uma lei aprovada no ano passado que abriu essa possibilidade.
Esse regulamento pode facilitar a retomada dos M&As em renováveis, mas ainda assim é “bem difícil conciliar preço,” disse uma fonte do mercado.
Se tiver sucesso na venda da Echoenergia, o CEO Augusto Miranda poderá reduzir a alavancagem da companhia – hoje próxima de 3x EBITDA – e voltar a concentrar esforços e investimentos nos negócios de distribuição e saneamento.
Uma das oportunidades no radar da empresa é uma potencial aquisição da Enel São Paulo caso o grupo italiano decida vender a concessão diante de pressões contrárias de políticos e reguladores depois de apagões em sua área de operação em 2023, 2024 e 2025.
Do lado da Engie, a oportunidade se encaixaria na estratégia do grupo de avaliar M&As oportunísticos de ativos renováveis com contratos de longo prazo para a venda de energia.
A Equatorial vale R$ 43 bilhões na B3. A ação recua cerca de 4% em 2026.











