A AXIA Energia reportou um lucro líquido de R$ 13,9 bilhões no quarto trimestre, uma disparada de mais de 1.000% na comparação anual, surpreendendo o mercado ao mudar suas estimativas dos lucros tributáveis futuros.

Mas os resultados ajustados, retirando esse e outros efeitos não-recorrentes, tiveram uma recepção mista entre analistas, gerando desde animação até algum desapontamento. 

No BTG, o time de research de utilities admitiu que havia “muita disparidade de projeção no mercado,” mas avaliou o resultado como “muito forte.” 

“A empresa, corretamente na nossa opinião, não ‘bate resultado’ com o sellside antes, então sempre tem emoção.” 

O lucro ajustado da antiga Eletrobras foi de R$ 1,25 bilhão, 141% acima do quarto tri de 2024. 

Foi bem acima do previsto pelo BTG (R$ 967 milhões), embora o Itaú BBA projetasse R$ 1,6 bilhão e o UBS BB, R$ 2 bilhões.

 O EBITDA regulatório ajustado, a principal métrica acompanhada pelo mercado, ficou em R$ 5,7 bilhões, um aumento de 13% ano a ano.  

Com divergências até nas premissas do EBITDA ajustado – o que entra no ajuste e o que não entra – o BTG disse que, nas suas contas, o EBITDA ajustado ficou em R$ 5,9 bilhões, acima de suas projeções de R$ 5,4 bi.

A XP, no entanto, esperava R$ 6,4 bilhões, embora admitindo que estava bem mais otimista que a média.

“A sensação é de que o consenso estava mais perto dos R$ 6 bi – R$ 6,1 bi, gerando alguma frustração no resultado,” comentou o analista Raul Cavendish.

Por outro lado, ele viu como positiva a ativação de créditos fiscais diferidos que bombou o lucro contábil. 

O BTG também destacou o lucro contábil “muito grande” que adiciona ao balanço lucros acumulados distribuíveis, favorecendo dividendos futuros. 

O ganho veio do reconhecimento de R$ 12,4 bilhões em ativo fiscal diferido – um cálculo que leva em conta prejuízos fiscais anteriores que poderão gerar descontos de impostos sobre lucros futuros. 

“Resultado muito bom, que não deveria alterar o momentum da história,” resumiu o BTG.

A XP disse ter uma visão “a priori neutra” do balanço, “diferente do terceiro tri, onde tivemos um beat consensual,” mas segue construtiva com a tese de AXIA.

A Genial também disse que viu o resultado “um pouco abaixo de nossas expectativas,” mantendo a ação como sua preferida no setor de utilities

Um dos principais fatores para a diferença tão grande nas expectativas quanto à AXIA é que a empresa não divulga precisamente os volumes de energia disponível para venda, um fator chave para os resultados. 

O balanço energético divulgado agora pela companhia mostra o volume de energia descontratada para 2026 em um range entre 8% e 26%, a depender das premissas consideradas, que não são detalhadas. 

O volume descontratado da AXIA é justamente aquele que se beneficia da atual tendência de alta e maior volatilidade de preços de eletricidade, que impulsiona a visão construtiva do mercado com a ação.

A AXIA disse que o quarto tri foi impactado por uma redução na receita de geração, depois que a empresa vendeu suas usinas termelétricas, e por que teve que ressarcir consumidores por uma menor geração de seus parques eólicos. 

Por outro lado, despesas com pessoal, manutenção, serviços e outros (PMSO) caíram 16% ano a ano para R$ 1,76 bilhão, evidenciando as eficiências pós-privatização.

Nesta linha, chamou atenção o custo do rebranding da AXIA, anunciado em outubro. Foram R$ 60 milhões em despesas com a mudança de marca, que incluiu propagandas em horário nobre na televisão. 

No chamado empréstimo compulsório, um passivo herdado dos tempos estatais, a companhia fechou acordos e reduziu em R$ 663 milhões as provisões ante o trimestre anterior. Desde 2022, o estoque de provisões caiu R$ 14,8 bilhões, para R$ 11,1 bilhões.

A AXIA ainda direcionou R$ 3,86 bilhões para investimentos no trimestre, um aumento de 28% ano a ano. Os aportes em reforços e melhorias em transmissão foram recorde no total de 2025, em R$ 4,75 bilhões.

A alavancagem encerrou o ano em 2x, ante 1,9x no trimestre anterior. 

A companhia vale R$ 183 bilhões na Bolsa.