A Raízen chegou a um acordo para vender seus ativos de refino e distribuição de combustíveis na Argentina, numa transação de US$ 1,4 bilhão que reduz sua dívida no momento em que a empresa está em recuperação extrajudicial.
Os ativos – a segunda maior operação de downstream do país, atrás apenas da estatal YPF – estão sendo comprados por controladas da trading suíça Mercuria Energy.
O negócio permitirá à Raízen colocar no caixa entre US$ 900 milhões e US$ 1 bilhão, além de desconsolidar de seu balanço as dívidas da operação argentina, uma fonte próxima às negociações disse ao Brazil Journal.
“Este valor entra para o caixa e o capital de giro da companhia. Fez parte das discussões com os credores, que concordaram.”
O M&A da Raízen também envolveu a Shell, dado que os postos de combustível na Argentina seguirão com a sua marca, e atraiu bastante interesse, evidenciando como a Argentina está voltando ao radar dos investidores.
“Trafigura, Vitol e grandes grupos locais familiares também participaram do processo,” disse a fonte. “É uma plataforma muito grande, tem uma refinaria muito bem posicionada, a mais próxima da cidade de Buenos Aires, e mais de 880 postos com a marca Shell.”
A Raízen havia adquirido os ativos no país em 2018, pagando US$ 950 milhões pelas operações locais da Shell.
Para as fontes, a transação foi fechada agora por valor e múltiplos “justos”, e “em linha com a média do setor”.
“A Argentina está ficando mais estável, atraindo novos investidores internacionais, mas continua um mercado emergente e com volatilidade maior que o Brasil. O Milei dá uma visão para os investidores de mudança positiva, mas ninguém tem certeza de que vai ser assim para sempre,” disse uma das pessoas envolvidas na transação.
Embora o setor de petróleo e gás da Argentina venha se destacando pelo forte aumento da produção de shale em Vaca Muerta e pelas exportações, as operações vendidas pela Raízen são de downstream – portanto um business de mercado doméstico.
A rentabilidade das operações está ligada à economia local, que dita a demanda por combustíveis para veículos e aviões, e exposta a riscos de eventuais intervenções governamentais – como medidas para controle de preços da YPF, por exemplo.
Neste contexto, a venda dos ativos com a permissão de continuidade de uso da marca Shell foi “um fator relevante”, dado seu posicionamento no mercado de gasolina “premium”, disse uma das fontes.
A transação da Raízen está alinhada à estratégia de otimização de portfólio de ativos e simplificação da estrutura operacional da companhia, em meio à sua reestruturação e renegociação com credores.
A Raízen disse que a conclusão do negócio é prevista para o atual ano-safra, sujeita a condições precedentes incluindo aprovações regulatórias e judiciais.
O BTG Pactual assessorou a Raízen, que trabalhou com o Cleary Gottlieb e o Marval, O’Farrell & Mairal. A Mercuria não teve assessor financeiro, mas usou legal counsel do Sullivan & Cromwell dos EUA e do PAGBAM da Argentina.











