Cinco bancos começaram a cobrir a Compass hoje com recomendação de ‘compra’ e preços-alvo variando de R$ 34 a R$ 38 – um upside potencial de 33% a 49% em relação ao preço de tela.
Os mais agressivos são o BTG Pactual e o Citi, que colocaram um target de R$ 38 no papel, que negocia hoje ao redor de R$ 25,50. Já o mais conservador é o JP Morgan, com R$ 34, enquanto Bradesco BBI e Itaú BBA têm preços-alvo de R$ 37 de R$ 35, respectivamente.

O consenso entre os cinco bancos é que a Compass tem uma combinação rara de receitas estáveis, geração de caixa e dividendos – com uma opcionalidade de crescimento relevante na Edge, sua comercializadora de gás que também é dona de um terminal de GNL em São Paulo.
O início de cobertura vem pouco mais de um mês depois da Compass concluir seu IPO. De lá pra cá, o papel caiu cerca de 7%.
Todos os bancos que iniciaram a cobertura participaram da oferta; a restrição de cobertura terminou hoje.
A Compass é dividida em duas unidades de negócios. Ela é dona de quatro concessões de distribuição de gás no Sudeste e acionista de outras três, além da Edge.
No BTG, o analista Antônio Junqueira disse que o negócio de distribuição de gás natural “é entediante. Mas entediante é bom!”
“As distribuidoras proporcionam [à Compass] proteção contra a inflação; um mecanismo de crescimento gradual por meio da expansão da RAB; e estabilidade e baixa volatilidade para atravessar os intensos ciclos econômicos e políticos do Brasil,” escreveu o analista.
Já a Edge “traz crescimento, inteligência de mercado e oportunidades de arbitragem.”
A Edge opera um terminal de GNL em São Paulo com capacidade de regaseificação e transporte de 14 milhões de m³ por dia. Esse terminal tem um contrato de longo prazo com a Total. A Edge também concentra os ativos de biometano da companhia.
“Além de representar a principal avenida de crescimento da empresa, o terminal fornece informações privilegiadas sobre a dinâmica do mercado e cria oportunidades de arbitragem comercial,” disse Junqueira.
O Brasil ainda possui uma infraestrutura de gás relativamente limitada, com apenas três grandes gasodutos de longa distância e oito terminais de GNL conectados à rede. “Nesse contexto, empresas que controlam esses ativos possuem uma vantagem competitiva significativa,” escreveu o analista.
No Citi, João Pimentel foi na mesma linha. Para ele, a Compass oferece “um dos perfis de risco-retorno mais atraentes do nosso universo de cobertura, combinando fluxos de caixa resilientes e regulados de seu braço de distribuição com oportunidades estruturais de crescimento no mercado brasileiro de gás natural.”
No preço atual, ele disse que a Compass oferece uma TIR real implícita de 16%, negociando a 5,2x seu EBITDA projetado para 2026 – “o que a torna uma das oportunidades mais atraentes dentro da nossa cobertura.”
Parte deste desconto tem a ver com uma precificação errada do mercado em relação à Edge.
Pimentel acredita que o mercado está atribuindo apenas 20% do valor justo da Edge, “o que deixa um potencial de valorização significativo caso a execução da estratégia ocorra conforme esperamos.”
O Citi notou ainda que, com uma alavancagem confortável de 2,2x dívida líquida/EBITDA, a companhia é uma boa alternativa para investidores em busca de dividendos. A estimativa do Citi – assumindo um payout de 75% – é de um dividend yield de 9% em 2027 e 2028.
Vicente Falanga, do Bradesco BBI, lembrou que a Compass tem a meta declarada de crescer seus volumes de comercialização de gás dos atuais 6 milhões de m³ por dia para 22 milhões em 2030, vendendo gás natural para indústrias, termelétricas, e empresas de distribuição e de frotas.
O Bradesco também ressaltou as fortalezas da companhia mas citou alguns riscos, incluindo mudanças regulatórias após as eleições, o aumento da concorrência no mercado de gás – especialmente da Petrobras –, a não renovação do contrato de suprimento de GNL com a Total em 2033, e a competição de outras fontes de energia.
A Compass vale R$ 17,9 bilhões na Bolsa. A Cosan tem 76% da empresa.











