A HappyRobot, uma startup do Vale do Silício que desenvolve agentes de AI para automatizar operações complexas em grandes corporações, acaba de captar US$ 150 milhões em uma Série C que avaliou a empresa em US$ 1,2 bilhão (post-money).

A rodada foi liderada pela Prysm Capital – fundada pelos ex-BlackRock e que tem participação em empresas como Rivian e Fanatics – e co-liderada pela Eurazeo. 

A rodada eleva o total levantado pela empresa para mais de US$ 200 milhões desde sua fundação em 2022, e vem menos de um ano depois da Série B de US$ 44 milhões liderada pela Base10 Partners há um ano. 

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De lá pra cá, a receita da HappyRobot cresceu cinco vezes, o CEO Javier Palafox disse ao Brazil Journal.

“Uma parte importante desse sucesso não é só a aquisição de novos clientes, mas também o sucesso nas contas já existentes. Nosso net dollar retention está em 150%, o que significa que estamos crescendo bastante com as grandes empresas com as quais trabalhamos,” disse Javier.

A HappyRobot foi fundada em 2023 pelos espanhóis por Javier, seu irmão Pablo, e Luis Paarup – hoje CEO, COO e CTO, respectivamente – depois de anos trabalhando juntos em projetos de robótica e deep learning

A proposta da empresa é oferecer agentes de AI capazes de negociar com fornecedores, agendar compromissos e cuidar do atendimento ao cliente de ponta a ponta, numa evolução do chatbot.

A ideia é que este “novo funcionário” consiga lidar com diferentes plataformas e softwares dentro de uma mesma companhia, executando funções críticas sem depender de regras ou scripts rígidos. 

Segundo a HappyRobot, o serviço vai além da economia de custos: também gera receita e aumenta a velocidade das operações – podendo automatizar em média até 28 mil horas de trabalho por mês, por cliente.

Javier define o serviço da HappyRobot como uma “superinteligência corporativa, em que a inteligência coletiva de uma organização se acumula à medida que agentes e pessoas aprendem uns com os outros.”

Inicialmente o foco da empresa foi oferecer esses serviços a empresas de logística, mas a nova rodada permitirá que a companhia mire outros setores. Hoje a HappyRobot atende mais de 150 clientes, incluindo DHL, Kuehne + Nagel, Naturgy, Repsol e Uber. 

O foco agora é a expansão para as áreas de seguros, energia, telecomunicações e companhias aéreas – setores em que trabalhos críticos ainda dependem de coordenação manual entre sistemas fragmentados.

“Nunca estivemos lidando apenas com um problema de logística,” disse Javier. “Quando estávamos com a DHL, eles pediram: ‘vocês conseguem nos ajudar em todos esses outros problemas?’, como vendas, atendimento ao cliente relacionado a carros, recrutamento, retenção de talentos. Isso nos forçou a construir um software e uma plataforma de orquestração, que é, nesse sentido, horizontal, capaz de desempenhar várias funções, como se comunicar através de diferentes canais, raciocinar para resolver todos esses problemas diferentes.”

Com os novos recursos, a HappyRobot vai acelerar o investimento na plataforma e continuar expandindo globalmente seus times de engenharia, implantação e comercial. Nos últimos 12 meses, a empresa aumentou o número de escritórios globais de dois para oito, espalhados pela América do Norte, Europa, América Latina e Austrália.

Como a rodada foi fechada perto da final da Copa do Mundo, Javier disse que as comemorações naquele final de semana foram duplas, com a HappyRobot se tornando unicórnio, e a Espanha, campeã do mundo.

Também participaram da rodada a a16z, a Base10 e a Y Combinator, que já estavam no captable, e os fundos Koch Disruptive Technologies (KDT), Orange e T.Capital (Deutsche Telekom), além de Bankinter, Endeavor Catalyst, Kfund e Wave-X.