A Anvisa aprovou hoje a comercialização do Ozivy – um análogo ao Ozempic produzido de forma sintética pela EMS – num movimento com repercussões para outras farmacêuticas e o setor de drogarias. 

Trata-se da primeira aprovação da Anvisa de um análogo ao Ozempic desde que a patente do medicamento da Novo Nordisk caiu no dia 20 de março. No total, há outros cinco produtos sintéticos e um biológico em análise pela agência reguladora. 

Carlos Sanchez ok 1

O Ozivy, que foi aprovado inicialmente apenas para o tratamento de diabetes nível 2, deve começar a ser vendido nos próximos 30 a 60 dias, depois que a CMED regulamentar o preço máximo de venda. 

Para a EMS, o impacto da aprovação é relevante. A farmacêutica disse hoje que espera faturar mais de R$ 500 milhões com o medicamento nos primeiros 12 meses, o equivalente a 5% de seu faturamento.

Com isso, o Ozivy já se tornaria o principal produto da EMS em termos de vendas. 

A estratégia será baseada em preço e numa distribuição agressiva nas redes de farmácias. O Ozivy será vendido com um desconto de pelo menos 30% em relação ao Ozempic – e para atrair o apoio das drogarias, a EMS disse que vai garantir uma margem maior para o varejo.

Enquanto o Ozempic deixa uma margem de cerca de 15% para as farmácias, a EMS sinalizou que os produtos análogos podem deixar o dobro disso conforme a concorrência aumentar no setor.

No Santander, o analista Caio Moscardin disse que a aprovação do Ozivy pode pavimentar o caminho para aprovações adicionais dos outros produtos de semaglutida na Anvisa. 

“Para a Hypera, vemos a notícia como positiva já que acreditamos que a companhia pode estar entre as três primeiras companhias a receber a aprovação regulatória,” escreveu o analista.

“Continuamos a ver o mercado de semaglutida como um upside potencial para a companhia, com a contribuição do EBITDA incremental estimada em apenas 3% a 4% para 2027 e 2028.”

A aprovação também é positiva para a RD Saúde e a Pague Menos, “já que marca a introdução de alternativas do GLP-1, o que esperamos que seja positivo para o setor do ponto de vista de rentabilidade.”

Segundo ele, os produtos análogos ao Ozempic devem gerar volumes incrementais para as farmácias – já que têm um preço mais baixo – numa categoria com margens estruturalmente mais altas.

Enquanto a EMS e Hypera estão apostando nos produtos análogos para capturar sua fatia nesse mercado, a Eurofarma seguiu por um caminho diferente.

A companhia fechou uma parceria com a Novo Nordisk para distribuir o Ozempic e o Wegovy com marcas diferentes (Extensior e Poviztra) e estratégias comerciais e de distribuição também distintas. 

O Extensior e Poviztra já são vendidos hoje nas farmácias, com preços significativamente menores que a marca original. Num programa que a Eurofarma chama de EuroCuida, o valor mensal para o tratamento pode ficar na casa dos R$ 300 a R$ 600, em comparação aos cerca de R$ 1 mil do Ozempic.