Edmee Moreira, Danrley Morais e Mariana Pastorelli venderam sua startup – a LinkAPI – para a Semantix em 2021.

Agora, os três empreendedores – que colocaram quase R$ 100 milhões no bolso com a saída – estão ensaiando um segundo ato: a Runflow, uma startup que atua num dos mercados mais quentes do momento, os agentes de AI. 

Fundada no ano passado, a startup acaba de captar sua primeira rodada institucional, levantando um cheque de R$ 7 milhões num seed liderado pela Honey Island, a gestora dos fundadores do EBANX, com participação da Airborne Ventures e Stamina Ventures. 

A Runflow desenvolveu uma plataforma que ajuda grandes empresas a criar seus agentes de AI, monitorar o trabalho deles e gerir os resultados – permitindo automatizar processos complexos de ponta a ponta.

07 28 Edmee Moreira ok 1

“A primeira coisa que fazemos é resolver toda a parte da criação do agente, conectando com os sistemas legados, bancos de dados e softwares como SAP e Salesforce,” Edmee disse ao Brazil Journal. “Para isso, temos uma camada de SDKs, que é como se fosse uma biblioteca de códigos que o desenvolvedor pode usar para facilitar a criação.”

Depois de criar o agente, a Runflow precisa garantir que o agente está funcionando, “ainda mais se colocamos ele dentro do core da empresa.” 

Para isso, a empresa tem uma camada de observability, um monitoramento constante do trabalho dos agentes. 

“Por fim, temos que dar para o dono daquele processo uma visibilidade de como o agente está performando na ponta, e fazemos isso com dados em tempo real,” disse Edmee.

A Runflow foca em clientes de grande porte – que faturam a partir de R$ 500 milhões – e já atende empresas como Vero Internet, Brasal (uma engarrafadora da Coca-Cola), e o Grupo Osten, uma das maiores redes de concessionárias de São Paulo. 

No mês passado, a startup fez um ARR (a receita mensal anualizada) de R$ 4,5 milhões e espera chegar em dezembro a R$ 12 milhões. Para o ano que vem, a meta é bater R$ 100 milhões. 

A Runflow opera num mercado que tem recebido montanhas de investimentos. Ela compete, por exemplo, com a Wonderful, a startup israelense que foi avaliada em US$ 2 bilhões numa rodada recente e que acaba de entrar no Brasil. 

Edmee disse que a Runflow poderá se diferenciar por estar 100% focada no mercado brasileiro – o que garante que ela entenda melhor o fluxo e as dores dos clientes.

“Além disso, essa é uma venda super de relacionamento, e já atendemos clientes enterprise desde 2017 com a LinkAPI,” disse ele. 

Segundo os fundadores, a Runflow tem gerado economias relevantes para os clientes. 

Na PX Ativos Judiciais, por exemplo, uma empresa focada na compra de processos trabalhistas e precatórios, a startup automatizou quase 100% de um processo que demandava 15 pessoas, reduzindo essa equipe para três. 

“Fizemos uma estreia de convencimento das pessoas e entendimento do processo com vários agentes especializados em etapas diferentes. Tem um agente que fala só com as pessoas que acham que a abordagem é um golpe. Tem outro que fala com o advogado das pessoas. São mais de 10 agentes diferentes,” disse o fundador. 

Na Osten, um grupo de 12 concessionárias de 9 marcas diferentes, a Runflow criou 9 agentes especializados em cada uma das marcas do grupo. “Se o cliente falar no Whatsapp que quer comprar um BYD, vai ser um agente específico que vai falar com ele. Se ele está interessado numa BMW, vai ser outro. E cada agente é hiperespecializado na sua marca e em todos os carros que ela vende,” disse Edmee.

Com a automação, a Osten reduziu de 7 para 1 a equipe dedicada a esse processo, e viu um aumento de 35% na taxa de conversão de leads em visitas às concessionárias.