A XP disse que captou R$ 43 bilhões em ‘net new money’ no segundo trimestre, um crescimento de 44% na comparação com o trimestre anterior e um sinal de que a corretora está atravessando a implosão da Bolsa melhor do que setores do mercado esperavam.

Os números divulgados agora há pouco excluem a chamada ‘custódia concentrada’, os grandes saldos de um só investidor ou fundo que geram menos receita para a corretora.

O resultado é importante porque uma das grandes preocupações dos investidores nos últimos meses tem sido a capacidade da XP de continuar crescendo no mesmo ritmo em meio a um cenário de juros altos, inflação crescente e recessão à vista. 

A XP havia tido uma captação líquida de R$ 30 bi no primeiro tri, uma média de R$ 10 bi por mês — o piso do soft guidance de R$ 10 bi a R$ 15 bi por mês que a empresa passa ao mercado. 

No segundo tri, essa média mensal subiu para R$ 14,3 bi.

Com os novos recursos, a XP chegou a R$ 846 bilhões em ativos sob custódia, uma alta de apenas 4% na comparação anual. (Com a Bolsa derretendo, os clientes da XP sofreram uma depreciação de R$ 146 bilhões no valor dos ativos ao longo dos últimos 12 meses.)

A XP também disse que chegou a 3,6 milhões de clientes ativos — com a adição de cerca de 100 mil novos clientes no segundo tri.

Parte relevante da entrada de novos recursos veio de clientes já existentes, que mandaram dinheiro novo para a corretora ou transferiram recursos de outros bancos. 

Nos últimos trimestres, a XP tem visto um aumento no share of wallet de seus clientes, que hoje deixam em média 50% do total de seus recursos com a empresa. Parte disso tem a ver com a adição de produtos e serviços bancários, como cartão, conta digital, seguro e crédito. 

No segundo trimestre, o número de clientes com cartão de crédito ativo subiu de 308 mil para 383 mil, uma penetração ainda pequena, de 10,6% da base. Já o TPV de cartões saltou de R$ 4,5 bilhões no primeiro trimestre para R$ 5,5 bilhões no segundo tri.

A XP também viu um crescimento de R$ 4 bilhões no AUC de previdência, que chegou a R$ 54 bilhões. 

Já a carteira total de crédito (excluindo cartões) bateu em R$ 12,9 bilhões, um crescimento de 9% na comparação com o primeiro trimestre, e de 90% ano contra ano. Como boa parte do crédito é colateralizado com os investimentos, a inadimplência acima de 90 dias está em zero. 

Apesar do crescimento desses novos negócios, eles ainda têm uma representatividade baixa na receita da XP – menos de 8%.