A XP encerrou 2021 com receita, lucro e EBITDA recordes. 

O lucro líquido ajustado foi de R$ 4 bilhões, um crescimento de 76% em relação a 2020.  Na mesma comparação, a receita bruta somou R$ 12,8 bi, uma alta de 47%, e o EBITDA ajustado cresceu 66% para R$ 4,8 bilhões. 

No after hours, a ação da XP subia 3,82% em Nova York. 

O CFO Bruno Constantino disse que 2021 foi “excepcional”, e que a XP continuou a crescer e a investir pesado em seu negócio. 

“Para nós, empreender é melhorar a experiência do cliente, mas fazer isso com resultados financeiros sustentáveis, porque senão, no longuíssimo prazo, o negócio não sobrevive”, disse o CFO. 

Segundo ele, o ano de 2021 representa isso de forma emblemática porque a XP contratou mais de 2.500 pessoas – a base de funcionários cresceu 70% para 6.193 – por conta de investimentos em tecnologia e assessoria e também dos novos negócios (previdência, cartão de crédito, crédito colaterizado e seguros). 

Esse crescimento levou a uma alta “bem expressiva” nas despesas SG&A, que cresceram 46% para R$ 3,8 bilhões.

“Mesmo com essa despesa maior, atingimos a marca histórica de lucro líquido ajustado de R$ 4 bi. Desde o IPO, em 2019, multiplicamos o lucro por quatro,” disse Bruno. 

No quarto trimestre, a XP teve lucro líquido ajustado de R$ 1 bi, com alta de 51%; o EBITDA ficou em  R$ 1,39 bi (+ 56%); e a receita bruta subiu 34% para R$ 3,4 bilhões. 

No ano, a captação líquida foi de R$ 230 bilhões, uma alta de 16% e o  total de ativos sob custódia (AUC) cresceu 23% para R$ 815 bilhões. 

A base de clientes também cresceu, fechando o ano em 3,4 milhões – uma alta de 24% na comparação anual, mas de apenas 3,6% na comparação com o terceiro tri. O peso dos novos negócios, como cartão, seguros e crédito, passou de 1,8% da receita bruta em 2020 para 6,5% em 2021. 

Em relação ao cenário macroeconômico mais desafiador, Bruno minimizou o impacto para o negócio da XP, que ele descreveu como uma história de conquista de market share que hoje está com os grandes bancos. 

Como a indústria de investimento ainda está concentrada nos bancões, a XP acredita que o market share potencial que tem para ganhar continua muito alto, já que a empresa tem hoje  pouco mais de 10% do mercado. 

“O macro pode impactar o tamanho do bolo, que pode crescer mais, menos e até diminuir. Mas o bolo é tão grande e concentrado nos bancões que a gente não precisa, por enquanto, que o bolo cresça para continuarmos crescendo”, disse ele. 

Bruno reforçou ainda que a XP funciona como um ecossistema de produtos e serviços e a eventual queda em investimentos em renda variável tende a ser compensada pelas aplicações em renda fixa.

Se o cenário macro for uma catástrofe, ele diz, a história pode ser outra. “Mas me  parece que estamos vivendo um ajuste  de ciclo e estamos chegando perto do fim do aperto monetário”, disse.