Nos últimos anos, Daniel Mendez fez vários movimentos com um objetivo final: levar sua empresa de alimentação corporativa, a Sapore, para a Bolsa de Valores. 

Em 2018, Mendez tentou comprar a IMC — a empresa listada que é dona do Viena e do Frango Assado — num movimento que catapultaria a Sapore direto para a B3. Mas o negócio não deu certo. 

Agora, a Sapore acaba de vender 19% de seu capital para a Acon, o private equity americano que já investiu na Dori Alimentos e na empresa de telecom Conexão. 

“O ponto crucial aqui é ter alguém que nos ajude a nos preparar para o IPO,” Mendez disse ao Brazil Journal. “Assim que a janela abrir, vamos ser um forte candidato.”

A Acon deve ajudar a fortalecer a governança da empresa e financiar uma estratégia de pequenos M&As envolvendo startups e outras empresas do setor.

A Sapore vai transformar seu conselho consultivo num conselho de administração, e a Acon terá dois dos oito assentos.

Fundada há mais de 30 anos por Mendez — um uruguaio que veio para o Brasil com 11 anos e se apaixonou pelo mundo da comida trabalhando no restaurante do pai — a Sapore é uma das líderes nacionais no mercado de alimentação corporativa. A maior parte do negócio da empresa consiste em instalar e fazer a gestão de restaurantes dentro de grandes companhias.

Recentemente, a companhia entrou também em escolas e hospitais — atendendo nomes como o Hospital Nove de Julho e o Colégio Porto Seguro — e no mercado de facilities, pela primeira vez oferecendo serviços de limpeza e reparos para sua base de clientes.

Além da Sapore, o mercado de alimentação corporativa no Brasil é dominado pela Sodexo e a GR, uma marca da inglesa Compass. 

O investimento da Acon vem num momento em que a Sapore já se recuperou do baque da pandemia. No ano passado, a empresa faturou R$ 2 bilhões, fez R$ 123 milhões de EBITDA e lucro líquido de R$ 29 milhões. Os números são bem parecidos com os de 2019, o último ano pré-covid. 

Mendez diz que espera faturar R$ 2,5 bilhões este ano, com a margem EBITDA se mantendo na faixa de 6% a 7%. No médio prazo, a Sapore pretende levar essa margem para pelo menos 10%, disse o fundador. 

A projeção de crescimento parece factível: Mendez diz que apenas no primeiro trimestre a Sapore já conseguiu vender R$ 300 milhões em novos contratos, que se somam aos R$ 2 bi do ano passado. (Tipicamente, a empresa fecha contratos de longo prazo com seus clientes, que duram de 3 a 5 anos. O ‘churn’ gira em torno de 10%).

A Sapore também está ganhando tração em marmitas — um mercado B2C que diversifica seu negócio mas ainda é pequeno. Hoje, ela vende suas marmitas (congeladas, resfriadas ou quentes) pelo delivery e em 40 lojas do Carrefour. 

“O brasileiro não sabia comer congelado, e como não tinha muita oferta, ele estava sempre comendo o mesmo tempero, o mesmo sabor. Vamos aumentar a oferta, oferecendo vários temperos com chefes assinando os pratos, sempre tendo como base a comida caseira,” disse Mendez. 

O aporte da Acon é o segundo na história da Sapore. Em 2000, a BNDESPar comprou 20% da empresa, mas Mendez recomprou a participação 10 anos depois. Antes da entrada da Acon, Mendez era dono de 100% da Sapore.