A Apple abriu um processo contra a OpenAI, acusando a criadora do ChatGPT de roubo de segredos industriais e de contratar funcionárias da fabricante do iPhone para obter detalhes sobre produtos em fase de desenvolvimento.

As acusações são de “apropriação indevida de segredo comercial e violação de contrato.”

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O processo poderá levar anos para chegar a uma conclusão, mas a Apple buscará na Justiça reparações financeiras e também medidas para impedir que a OpenAI use informações supostamente apropriadas indevidamente para desenvolver os seus próprios produtos de hardware – um negócio que, segundo a dona do iPhone, está “podre até a raiz.”

A OpenAI negou as acusações – mas o processo deverá ser um passivo que a startup carregará enquanto prepara seu IPO, previsto para ainda neste ano ou 2027.

O processo foi aberto na sexta-feira em uma corte federal da Califórnia. Para analistas, a ação pode ser vista como uma estratégia da Apple para retardar o desenvolvimento de hardwares pela OpenAI de produtos que possam, no futuro, colocar em ameaça o domínio do iPhone.

Segundo a ação, “desde integrantes de sua equipe técnica até seu diretor de hardware […], a OpenAI vem roubando segredos comerciais e informações confidenciais da Apple.”

A OpenAI, que tem uma parceria comercial com a Apple desde 2024 para integrar o ChatGPT ao iPhone, anunciou no ano passado que iniciaria o desenvolvimento de equipamentos e adquiriu a startup Io Products, de Jony Ive – o lendário designer do iPhone e de inúmeros produtos icônicos criados ao lado de Steve Jobs.

Ive, que deixou a Apple em 2019 depois de 27 anos, e Sam Altman, o CEO da OpenAI, anunciaram em maior do ano passado uma parceria para “reimaginar completamente o que significa usar o computador”.

Essa “reimaginação” pode ter se valido de segredos surrupiados da Apple – como indicam elementos listados no processo.

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Em nota, a Apple disse que “surgiram evidências significativas sugerindo que indivíduos contratados pela OpenAI se apropriaram indevidamente de informações secretas e confidenciais referentes às nossas tecnologias, processos e produtos ainda não lançados.”

Ive não é citado na ação, mas um dos réus é o engenheiro Tang Tan – que trabalhou 24 anos na Apple, chegando a ocupar a vice-presidência de design de produtos, e é co-fundador da Io Products. Atualmente, é o chief hardware officer da OpenAI.

Mais de 400 ex-Apple trabalham hoje na OpenAI – e Tan teria usado as entrevistas de emprego para pedir informações detalhadas e documentos internos a respeito de produtos e tecnologias sendo desenvolvidas pela dona do iPhone.

A Apple afirmou que Tang “instruiu candidatos a vagas que ainda trabalham na Apple a levar ‘peças reais’ da empresa para as entrevistas, visando a demonstração nas quais ele e sua equipe na OpenAI pudessem extrair ainda mais informações confidenciais da Apple.”

Ainda segundo o processo, a OpenAI estaria pedindo a fabricantes de hardware que utilizem uma técnica específica de acabamento de metal que foi inventada pela Apple.

Na ação, a Apple listou como réu um outro ex-funcionário seu, Chang Liu. Ele teria usado um MacBook não devolvido ao ex-empregador e se aproveitado de uma falha de segurança para baixar documentos confidenciais.  

Liu também recrutou uma ex-colega, Alyssa Peng, e teria passado instruções sobre quais informações a respeito de produtos ainda não anunciados ela deveria estudar antes de entrevistas de emprego. Depois Peng acabou sendo contratada pela OpenAI.

“LOL [laughing out Loud], descobri que consigo acessar o [armazenamento de rede], muito engraçado,” disse Liu em uma mensagem de texto enviada à Peng. Na sequência, teria feito o download de apresentações e detalhes industriais.

Em nota, a OpenAI afirmou que “não temos interesse nos segredos comerciais de outras empresas” e “continuamos focados em desenvolver tecnologia inovadora que empodere pessoas em todos os lugares.”

Sam Altman disse, em um post no X, que “não tenho medo da Apple, mas tenho um enorme respeito por eles.”

O processo aberto contra a OpenAI deverá ser uma das últimas grandes batalhas lançadas por Tim Cook, o CEO da Apple, que após 15 anos, deixará a liderança da companhia em setembro. Assumirá como executive chairman, passando o comando operacional para o VP de engenharia de hardware, John Ternus.