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Em São Paulo, um mercado imobiliário sem inovação

10 de dez, 2023

A sociedade brasileira criou uma visão elitista de que o adensamento urbano é ruim. Como consequência, as cidades se tornaram pouco funcionais, com alta necessidade de deslocamento e baixa qualidade de vida, diz o jornalista e escritor Raul Juste Lores, autor do livro São Paulo nas Alturas.

“As cidades médias brasileiras são um desastre. Elas se dividem entre favelas, condomínios fechados e centros, onde ninguém mora; no máximo, trabalha. Não tem vida na rua,” diz Lores.

Na raiz do problema, Lores aponta um mercado imobiliário “muito conservador e cauteloso”. “A grande maioria dos projetos são ‘copia e cola’, pensados para vender o mais rápido possível.”

Além disso, as leis que regem esse mercado são baseadas em concepções “muito erradas” de cidades, que não priorizam o espaço público, afirma neste episódio de Lado B.

“Temos que lembrar que o Copan, o Edifício Itália, o Conjunto Nacional e outros prédios adorados na cidade de São Paulo, hoje, seriam proibidos.”

Para Lores, a capital foi celeiro de grandes inovações arquitetônicas nas décadas de 1950 e 1960 – período que ele detalha em seu livro.

A partir daí, uma série de mudanças na legislação limitaram o potencial construtivo dos terrenos, o que empurrou a população cada vez mais para as periferias.

“Viramos uma sociedade tão conservadora que as pessoas defendem casas na frente do metrô, mas são contra prédios nesse mesmo lugar, onde poderiam morar 1 mil, 2 mil pessoas.”

É falsa a visão de que uma baixa densidade é sinônimo de qualidade de vida, afirma.

Discutir temas que afetam nosso cotidiano com base em pesquisas e evidências é a proposta do videocast Lado B, apresentado pelo economista Marcos Lisboa.

A cada quinzena, Marcos entrevista especialistas em macroeconomia, ciência, gênero no mercado de trabalho, políticas públicas e urbanismo, entre outros assuntos. Confira os últimos episódios

Os episódios também estão disponíveis no Spotify:

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