O BNDES não acertou o proverbial traseiro da mosca, mas ainda assim, o timing do banco na venda de Vale é de fazer inveja a Bobby Axelrod, o vilão de Billions. 

Ao longo do primeiro semestre, o banco zerou suas posições históricas na mineradora — levantando quase R$ 25 bilhões entre ações e debêntures. 

As vendas aconteceram entre janeiro e abril, quando o minério estava perto da máxima, de US$ 200.  

De lá para cara, a commodity caiu mais de 50% — e ainda parece não ter chegado ao fundo do poço.

Metade dos R$ 25 bi levantados vieram com a venda das debêntures participativas, cujo preço é diretamente correlacionado ao preço do minério.  No dia do launch da oferta, no fim de março, o minério negociava a US$ 195/tonelada.  Hoje, perdeu o nível de US$ 100.

A ação da Vale continuou subindo por um tempo, e hoje já negocia abaixo do preço em que o banco vendeu.

O BNDES também já tinha se dado bem na venda da Petrobras ON, em fevereiro de 2020.  Depois que o papel saiu a R$ 30 na oferta, revisitou brevemente aquele nível em janeiro e julho deste ano, e hoje está abaixo de R$ 26.

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