O Bradesco entregou mais um trimestre de melhora nos resultados, tranquilizando o mercado.
O lucro cresceu pelo décimo trimestre seguido e chegou a R$ 7,1 bilhões, uma alta de 16,2% na comparação anual e de 3,5% no sequencial.
O ROE aumentou para 16,2% – estava em 14,6% há um ano e em 15,8% no primeiro trimestre.
A ação havia caído 2,6% nos dois últimos pregões, com os investidores temendo que o balanço pudesse mostrar números preocupantes em meio à piora do cenário macro. Não foi o que aconteceu.
Além do bottom line, as demais linhas de receita e crédito vieram dentro do esperado.

A carteira de crédito cresceu mais que as do Itaú e Santander: 4,3% no tri e 11,6% no ano. O banco destacou que o mix está mais conservador, com maior crescimento nos empréstimos com garantias.
A margem com clientes aumentou 3,6% frente ao primeiro tri e 13,8% na comparação anual. A inadimplência acima de 90 dias foi de 4,3% em junho, ante 4,2% em março e 4,1% há 12 meses.
As provisões aumentaram 3,3% no trimestre e 22,6% no ano. A alta se concentrou no segmento massificado (que inclui pessoas físicas e PMEs), enquanto houve queda no PDD do atacado.
Chamou a atenção do mercado o fato do Bradesco ter destacado, no release de resultados, a deterioração dos riscos no País – algo raro ou mesmo inédito. “Ao mesmo tempo, o banco está mais preparado para essa deterioração do que no passado,” disse um analista do sellside.
O Bradesco anunciou na semana passada um aumento de capital que pode atingir R$ 10 bilhões, e analistas viram no timing do anúncio um sinal de que o banco está se antecipando a um cenário pior nos próximos meses.
O índice de capital principal aumentou de 10,2% em março para 11,3% em junho. Os dados pro forma indicam que poderá chegar a 13,6% quando incluídos o aumento de capital (se chegar a R$ 10 bi, o mínimo é R$ 8 bi) e a totalidade da operação da Bradsaúde.
“Com isso, o banco não precisa mais de capital, mas precisa melhorar a qualidade desse capital usando a grande quantidade de créditos tributários que tem,” disse esse analista.
A Bradesco Seguros teve um lucro de R$ 2,9 bilhões, uma alta de 6,7% em relação ao primeiro tri e de 28,3% na comparação anual.
O ROE da seguradora aumentou para 22,8%, frente ao retorno de 21,6% no tri anterior e 21,4% há um ano.
A ação do Bradesco sobe 15% nos últimos 12 meses, ante uma alta de 33% do Ibovespa.
O banco vale R$ 181 bilhões na Bolsa.











