Os itens de baixo valor agregado importados de sites chineses como Shein e Temu vão ficar mais caros nos Estados Unidos depois que o Presidente Trump assinou essa semana uma ordem executiva fechando a brecha tarifária de minimis — a isenção de impostos para remessas do exterior enviadas diretamente para o destinatário final e avaliadas em até US$ 800 — para encomendas provenientes da China e de Hong Kong.

A partir de 2 de maio, os produtos com remetentes destes países estarão sujeitos a um imposto de 30% do seu valor ou a uma taxa de US$ 25 por item, que aumentará para US$ 50 por item em 1º de junho. 

Nos últimos anos, as plataformas de ecommerce chinesas estavam dividindo os pedidos de clientes americanos em vários pacotes pequenos para conseguir a isenção e alcançar preços ainda mais competitivos.

A utilização da brecha estava crescendo rapidamente — cerca de 1,4 bilhão de pacotes do tipo chegaram aos EUA em 2024 —, o que provocou uma pressão bipartidária pelo fim do mecanismo ainda durante o Governo Biden.

Trump tentou avançar com a medida em fevereiro, mas teve que adiar sua aplicação depois que o anúncio pegou muitas empresas, consumidores e os próprios órgãos fiscalizadores de surpresa e provocou uma corrida por blusinhas online.

Segundo a Barron’s, houve confusão nos portos e atrasos nas entregas enquanto funcionários dos correios e agentes alfandegários tentavam inspecionar a enxurrada de pacotes que chegava.

Isso para não falar dos milhões de clientes que não sabiam se suas encomendas seriam taxadas.

Agora, conforme o governo afirma que as autoridades responsáveis estão preparadas para lidar com as mudanças, Trump trouxe a medida de volta.

E deve expandir a taxação para remessas do mundo todo assim que os sistemas estiverem prontos para processar os impostos, disse a Barron’s.

Após a Casa Branca comunicar a medida, anúncios de produtos em plataformas chinesas passaram a conter um disclaimer responsabilizando o próprio cliente pela liberação alfandegária dos produtos que comprar. 

Ainda assim, o cenário indica problemas para o ecommerce chinês como um todo e principalmente para vendedores autônomos que montaram seus negócios em cima do mecanismo.

“Vamos ter que enviar produtos em massa para os EUA e os preços vão aumentar,” disse a vendedora Yan Feili à Barron’s.

A Shein, que se preparava para um IPO em Londres, pode ver o seu valor de mercado recuar mais uma vez após ser avaliada em US$ 66 bilhões durante captação em 2023. 

Em janeiro deste ano, a Reuters noticiou que a empresa poderia ter que se contentar com um valuation de US$ 50 bilhões. Já em março, após o Governo Trump iniciar cruzada contra as de minimis, a Bloomberg afirmou que o IPO poderia sair por US$ 30 bilhões.