Nelson Peltz, o gestor ativista do Trian Partners, está travando uma proxy fight com a Disney com o objetivo declarado de “restaurar a mágica” da companhia.

A disputa já se desenrola há meses, com Peltz pedindo um assento no board e sugerindo diversas mudanças na estratégia, incluindo cortes de custos na operação.

O investidor de 80 anos – que já venceu proxy fights contra a Heinz, a Dupont e a P&G – começou a comprar ações da Disney em novembro, ainda na (breve) gestão do CEO Bob Chapek. A posição da Trian hoje gira em torno de 9,5 milhões de ações, o equivalente a US$ 900 milhões. 

Quando começou a montar a posição, a ideia de Peltz era ter influência na indicação de um novo CEO da companhia – um plano que acabou sendo frustrado com a volta de Bob Iger ao trono, no final de novembro.

De lá para cá, Peltz tem dito que não se opõe à diretoria e que apenas quer contribuir para melhorar a operação, a governança e a alocação de capital da empresa. 

Num site criado pela Trian e batizado de Restore the Magic, Peltz diz que a ação da Disney performou abaixo do S&P 500 em várias janelas temporais (1, 3, 5 e 10 anos) e que a performance operacional da companhia tem “desapontado” desde a compra da Fox por US$ 71 bilhões em março de 2019. 

“Eles perderam US$ 50 bilhões na Fox. A [aquisição] da Fox machucou essa empresa, a Fox fez o dividendo desparecer! A Fox transformou o que era um balanço imaculado numa bagunça,” Peltz disse à CNBC

Peltz diz ainda que a Disney é uma empresa “em crise”, e que muitos dos problemas atuais da companhia foram “auto-infligidos”.

“Ainda há uma série diretores e membros da diretoria que aprovaram alguns dos piores erros de governança e estratégia da empresa, incluindo pagar demais na aquisição da Fox, a expansão crescente das perdas do streaming e os pacotes de remuneração ‘over-the-top’ dados a Bob Iger,” diz a apresentação da Trian.

Bog IgerApesar de sua postura combativa, Peltz sempre tentou evitar a palavra “ativista”, e se auto denomina um investidor “construtivista”. 

Em 2017, a Trian fez um movimento parecido na P&G, conseguindo nomear Peltz para o conselho e implementando parte de sua agenda. 

Na Disney, as coisas não vão ser tão fáceis. Hoje cedo, a companhia rejeitou a abordagem de Peltz o que deve acirrar ainda mais a briga.

Num fato relevante, a Disney diz que seu conselho “já está onde deveria estar para que a companhia avance,” e que está executando um corte de custos relevante, buscando a lucratividade em seu streaming

A Disney disse ainda que ofereceu a Peltz um information-sharing agreement que lhe permitiria se encontrar trimestralmente com a diretoria e o board mas ele não aceitou. 

A empresa também defendeu as aquisições feitas por Iger dizendo que Peltz “não tem track record em grandes empresas de mídia ou tech, nem oferece soluções ao ambiente dinâmico da mídia.”

Peltz – que já investiu em gigantes do setor como Lions Gate, Time Warner e Comcast e hoje está no board do Madison Square Garden –  devolveu a granada.

“E eles entendem de mídia?” ele disse à CNBC. “Veja os números da empresa! Além do que, a Disney é muito mais que uma empresa de mídia. É uma empresa de consumo dona de algumas das maiores marcas do mundo.”

Com sua ação a US$ 100, a Disney vale US$ 183 bilhões na Bolsa.

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