As turbulências no mercado de trading de eletricidade ainda não acabaram. Depois da quebra recente de diversas empresas do setor, o Grupo Safira está iniciando um processo de mediação com credores “em caráter antecedente à recuperação extrajudicial,” segundo documentos vistos pelo Brazil Journal.
“As sociedades integrantes do núcleo de comercialização de energia do Grupo Safira enfrentam uma crise econômico-financeira decorrente, principalmente, da volatilidade acentuada dos preços de energia, da redução da liquidez do mercado e do aumento dos custos necessários à recomposição de suas posições contratuais”, disse a companhia nos documentos.
O movimento da Safira, que atua em comercialização e geração, vem após empresas como Tradener, Electra, Diferencial Energia, Elétron e IBS Energy terem iniciado processos de recuperação judicial nos últimos meses. Outras não chegaram a tanto, mas passam por processos de reestruturação financeira, como a Matrix.
A Safira disse em um comunicado a clientes que a mediação visa “viabilizar uma solução consensual e coordenada para a reestruturação das obrigações.”
“Estão seguindo o roteiro, de primeiro chamar uma mediação, mas já devem estar preparados para uma cautelar, numa RE… que pode acabar numa RJ,” disse uma fonte do mercado, acrescentando que já circulavam no setor há cerca de um ano informações sobre as dificuldades financeiras da empresa.
No caso da Safira, as complicações podem ser maiores que em outros casos recentes no mercado livre de eletricidade, uma vez que a companhia participou de leilões e fechou vendas de contratos de energia para distribuidoras, que atendem consumidores regulados.
A preocupação de que a crise nas comercializadoras de energia pudesse ter impactos sobre concessionárias de distribuição já estava no radar da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nos últimos meses, em meio à onda de problemas de tradings, de acordo com fontes.
As tradings do setor têm sido desafiadas por um aumento dos preços de energia e de sua volatilidade após mudanças na metodologia de cálculo do mercado, que passaram a vigorar em 2025, e com a transformação da matriz elétrica do País nos últimos anos, que teve uma grande expansão de fontes de geração intermitentes, como parques eólicos e usinas solares.
Além disso, conforme os problemas financeiros das comercializadoras vinham à tona, grandes grupos de geração e bancos que atuam no setor reduziram suas transações e o crédito dado às tradings independentes, diminuindo a liquidez para as empresas e agravando o cenário.











