O Magazine Luiza reportou um primeiro trimestre afetado pelo ambiente macro desafiador mas ainda assim acima das expectativas dos analistas — com receita e margens operacionais subindo mais que o esperado. 

O único número abaixo do consenso Bloomberg foi o lucro líquido: o Magalu entregou um prejuízo de R$ 98,8 milhões, enquanto os analistas esperavam um prejuízo 36% menor, de R$ 63 milhões. 

O Magalu teve vendas totais de R$ 14,1 bilhões e receita líquida de R$ 8,7 bi — altas de 13% e 6,2% na comparação anual.

A margem bruta subiu para 27,8% — contra 25,3% no quarto tri de 2021 e 25,1% um ano atrás — enquanto o mercado esperava 25,7%. 

A margem EBITDA ficou em 5% — quase o dobro dos 2,6% do quarto tri mas uma queda de 0,2 ponto em relação a um ano atrás. Os analistas projetavam 4,4%. 

A companhia disse que a margem EBITDA continua em trajetória crescente e ultrapassou os 6% no mês de março. Antes da pandemia, a margem EBITDA rodava em torno de 8%. 

No chamado 1P (as vendas feitas diretamente pelo Magalu), a empresa conseguiu repassar o aumento dos custos para o preço final, o que ajudou nas margens, o CFO Roberto Bellissimo disse ao Brazil Journal.

“Já no marketplace, fizemos ajustes nas políticas de comissões e reduzimos subsídios como o frete grátis,” disse ele. “O mercado está mais racional, todo mundo teve que fazer isso, então estamos conseguindo crescer com uma margem mais sustentável.”

O Magalu tem dito ao mercado que está trabalhando para operar com “margens mais saudáveis”, até para conseguir lidar com os juros mais altos, que aumentam as despesas financeiras. 

“Nos últimos dois anos, trabalhamos com margem EBITDA de 5,2% porque os juros estavam em 2%,” disse Roberto. “Agora, com os juros em 13%, isso exige margens operacionais maiores para lidar com essa situação de demanda mais comprimida em bens duráveis e juros mais altos.”

No primeiro tri, o crescimento das vendas totais veio basicamente do marketplace, que cresceu 50% na comparação anual. 

“O marketplace tem uma diversificação maior de portfólio. O 1P também é diversificado, mas tem uma participação maior de bens duráveis, que é um mercado mais difícil hoje,” disse Eduardo Galanternick, o vp de negócios do Magalu.

As vendas 1P tiveram alta de apenas 3% – e boa parte do crescimento veio do Kabum!, o ecommerce de eletrônicos que o Magalu comprou em julho passado e cujo resultado está sendo reportado pela primeira vez.

Já as lojas físicas — que responderam por 25% da receita do trimestre — voltaram a crescer depois de dois trimestres de queda. O varejo físico do Magalu cresceu 6% no período, com a companhia ganhando 0,4 ponto de share.

O CFO disse que houve dispersão nas projeções de lucro dos analistas, com alguns ficando abaixo e outros acima do resultado. 

“Mas a linha que deve ter destoado foi a de despesas financeiras,” disse ele. “Com a alta dos juros, nossa despesa financeira passou de 2,1% da receita líquida para 4,8%. Foi um aumento de quase 150%.”