A J&F Investimentos – a holding de Joesley e Wesley Batista – acaba de comprar minas de minério de ferro e manganês que compõem o chamado Sistema Centro-Oeste da Vale, numa transação que marca a estreia dos controladores da JBS no setor de mineração. 
 
O enterprise value de US$ 1,2 bilhão ganhou as headlines, mas o desembolso dos Batista é de apenas US$ 150 milhões.

O grosso da cifra é a assunção de obrigações relacionadas a contratos logísticos de ‘take-or-pay’ com a Hidrovias do Brasil (até 2036) e com um porto na cidade uruguaia de Nueva Palmira. 
 
Segundo a Vale, o conjunto de ativos – localizados no Mato Grosso do Sul – contribuiu com US$ 110 milhões para seu EBITDA ajustado de 2021.
 
O Sistema Centro-Oeste produziu 2,7 milhões de toneladas de minério de ferro – contra uma capacidade instalada de 6 milhões de toneladas/ano e um potencial de expansão para 15 milhões de toneladas/ano – e 0,2 milhão de tonelada de minério de manganês em 2021.
 
A Vale disse que o desinvestimento está em linha com a estratégia de simplificar seu portfólio e focar nos principais negócios e oportunidades de crescimento.
  
Os ativos que estão sendo vendidos são: Mineração Corumbaense Reunida, Mineração Mato Grosso, International Iron Company e Transbarge Navegación  Sociedad Anónima.
 

O investimento vem num momento de preços recordes do minério, e meses depois de outro conglomerado — a Cosan — botar um pé no setor com uma parceria com o empresário Paulo Brito, da Aura Minerals. O projeto greenfield da Cosan é muito maior: prevê o escoamento de 70 milhões de toneladas/ano por um porto a ser construído.

Não é a primeira vez que os irmãos Batista diversificam seus negócios, desta vez tendo um enorme vento a favor: a geração de caixa cada vez maior da JBS. Doze anos atrás, também no Mato Grosso do Sul, os Batista fundaram a Eldorado Brasil Celulose. Em 2017, os Batista acertaram a venda da companhia por um enterprise value de R$ 15 bilhões para a Paper Excellence, da Indonésia. (A venda ainda está na Justiça.)

No ano passado, a Eldorado faturou R$ 6 bilhões e teve um free cash flow de R$ 2 bilhões.

A Araújo Fontes, uma boutique de M&A de Belo Horizonte, assessorou a Vale na venda, que foi conduzida como um processo privado.  O empresário Lucas Kallas, controlador da Cedro Mineração, tem dito em círculos do setor que é sócio dos Batista no empreendimento. A Cedro é uma das mineradoras mais ativas de Minas Gerais, e tem como senior advisor o ex-diretor executivo de minerais ferrosos da Vale, José Carlos Martins.

A conclusão da transação está sujeita ao cumprimento de condições precedentes e à aprovação do CADE, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), do Conselho de Defesa Nacional (CDN) e demais autoridades regulatórias.