Por 47 anos à frente da Porto Seguro, Jayme Brasil Garfinkel ajudou a transformar uma pequena seguradora em crise em uma das maiores histórias de sucesso do setor no País. Mas, no The Business of Life, apresentado por Nilton Bonder, ele fala menos como empresário e mais como o filho que precisou assumir uma missão antes de se sentir pronto.

A Porto já existia desde 1945, mas foi comprada por seu pai, Abrahão Garfinkel, em 1972. “O sonho do meu pai era ser presidente de uma seguradora,” diz. Seis anos depois, Abrahão entrou no hospital com um câncer no intestino. “Ele poderia ter sobrevivido,” diz. Uma complicação levou a uma septicemia, e ele morreu cerca de um mês depois.

 

Com a morte do pai, Rosa Garfinkel, mãe de Jayme, assumiu a presidência da Porto. Jayme virou, em suas palavras, o “faz-tudo” da companhia. A sucessão veio junto com uma crise grave: entre 1978 e 1983, a Porto quase quebrou. “A gente fala muito do sonho da Rosa e do Abrahão, que era de ter uma companhia profissional, séria,” diz.

Naquele momento, um amigo do pai sugeriu duas saídas: vender para um banco ou contratar um general — era o Brasil da ditadura. Jayme recusou as duas. Foi, segundo ele, a decisão mais importante de sua vida. A família vendeu imóveis e colocou patrimônio pessoal para sustentar a empresa. 

Ao longo dos anos, Jayme transformou uma ideia em cultura. Estimulou as pessoas a decidir, protegeu quem errava de boa-fé e colocou o exemplo como lição. Inspirado no Bradesco, criou uma reunião diária às 8 da manhã — queria que os funcionários chegassem e vissem os carros dos diretores já estacionados.

Quando a Porto abriu capital, em 2004, Jayme teve dúvidas sobre como se comportar diante do mercado. Decidiu manter a lógica de sempre: fazer o que fosse melhor para a companhia, mesmo que isso sacrificasse o lucro de um ano. “O acionista, se a empresa for bem, irá bem,” diz.

A imagem que ele usa para si mesmo não é a do grande executivo, mas a do agricultor. “Eu gosto de regar e ver a plantinha crescer,” diz. Para ele, o sucesso é sempre provisório. “Sucesso é até ontem,” diz. “O risco é hoje.”

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