Começou a contagem regressiva para aquele que deve ser o maior IPO de todos os tempos.

A SpaceX acaba de entrar com o pedido de listagem da Nasdaq, ambicionando levantar pelo menos US$ 80 bilhões – quase o triplo dos US$ 29 bi captados pela Saudi Aramco em 2019, naquela que é ainda hoje a maior abertura de capital da história.

O conglomerado empresarial de Elon Musk – que reúne seus negócios de missões espaciais, a empresa de internet por satélite Starlink e a xAI – poderá alcançar um valuation superior a US$ 1,5 trilhão.

Os números que acabam de ser divulgados no prospecto detalham como nunca antes as finanças de Musk e de sua mais ambiciosa empreitada.

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A SpaceX faturou US$ 18,7 bi  no ano passado – uma alta de 33% em relação a 2024. O resultado líquido, no entanto, foi um prejuízo de US$ 4,94 bi em 2025, como resultado do aumento dos gastos com capex e desenvolvimento – que chegaram a US$ 20,7 bi no ano passado.

A maior fonte de receita da companhia é a Starlink, com faturamento de US$ 3,3 bi no primeiro trimestre e de US$ 11,4 bi no ano passado. A empresa tem uma base de 10,3 milhões de assinantes em 164 países.

A xAI, que inclui a rede social X, fechou o trimestre com lucro de US$ 818 milhões e de US$ 3,2 bi no ano.

O prospecto deixa claro também quem manda na SpaceX: Musk possui mais de 50% do capital total e 85% das ações com direito a voto.

Com base no atual valuation da SpaceX (US$ 1,25 trilhão), a participação de Musk vale  cerca de US$ 635 bilhões. E sua fortuna pessoal – hoje avaliada ao redor de US$ 800 bi – pode superar US$ 1 tri dependendo do IPO, um valor nunca antes alcançado por nenhum outro empreendedor.

Musk e alguns outros acionistas concordaram em não vender suas ações por pelo menos 366 dias após o IPO. Um outro grupo de investidores terá um lock-up de 180 dias.

Antonio Gracias, o fundador da Valor Equity Partners e integrante do conselho da SpaceX, aparece como um dos maiores acionistas da companhia.

Segundo o Wall Street Journal, as informações detalhadas no prospecto mostram que a empresa de Gracias detém 7,3% nas ações Classe A. Isso equivale a mais de US$ 100 bilhões, considerando o valor de mercado previsto quando as ações começaram a ser negociadas.

Outros early investors relevantes, mas com participação menor, são o Founders Fund, de Peter Thiel, a Sequoia e a 137 Ventures.

A SpaceX diz ter um mercado potencial – total addressable market – estimado em US$ 28,5 trilhões. De acordo com a empresa, esse número envolve US$ 370 bilhões em soluções espaciais, US$ 1,6 trilhão em conectividade e nada menos que US$ 26,5 trilhões em inteligência artificial.

O breakdown desta última linha inclui US$ 2,4 trilhões em infraestrutura, US$ 760 bilhões em assinaturas, US$ 600 bilhões em publicidade digital e US$ 22,7 trilhões em serviços B2B.

Fundada em 2002, a SpaceX surgiu com a missão de explorar o espaço e desenvolver foguetes reutilizáveis, e hoje faz cinco de cada seis lançamentos espaciais dos EUA.

Recentemente, a empresa evoluiu para abarcar os negócios de AI de Musk – o que envolve a sua estratégia para a rede social X.  Em fevereiro, houve a fusão da SpaceX com a xAI, que já controlava a rede social.

O IPO mais disputado da história será liderado pela Goldman Sachs e pelo Morgan Stanley – que, segundo a Bloomberg, aceitaram ser co-líderes, com o nome da Goldman aparecendo na frente do concorrente por uma questão de ordem alfabética.