A GRIDS Capital — uma gestora de venture capital brasileira especializada em ‘deep tech’ — está finalizando a captação de um fundo de US$ 120 milhões, quase 3x maior que seu fundo anterior. 

Até o momento, a gestora já levantou US$ 113 milhões para este segundo veículo e está em conversas com investidores para captar o restante. 

A GRIDS começou a captação do fundo há um ano com um target inicial de US$ 75 milhões. A pandemia — que acelerou a digitalização e sublinhou a importância da tecnologia de ponta — fez a gestora aumentar o tamanho, Guy Perelmuter, o fundador e gestor da GRIDS, disse ao Brazil Journal.

A captação foi feita principalmente com family offices e indivíduos ‘ultra high net worth’. Cerca de 90% dos investidores do primeiro fundo investiram no segundo. 

Isso tem a ver com saídas bem sucedidas feitas pelo fundo original: a venda da Ctrl-labs para o Facebook e a venda da Auris Health para a J&J, por exemplo.

Diferente da maioria dos VCs, a GRIDS mescla uma estratégia de ‘fundos de fundos’ com investimentos diretos em startups do Vale do Silício e de Israel. De 60% a 65% do capital é alocado nas principais gestoras de ‘deep tech’ dos EUA, e o restante em startups focadas em áreas como inteligência artificial, indústria 4.0, biotecnologia e robótica. 

“Não queremos fazer venture capital como um jogo binário…”, diz Perelmuter. “Queremos dar acesso a deep tech, mas com uma assimetria de risco-retorno a favor do cliente.”

Perelmuter — que foi o chief risk officer do velho Pactual e fez mestrado em engenharia elétrica com ênfase em inteligência artificial — construiu nos últimos 20 anos uma ampla rede de relacionamentos que permite à GRIDS acessar os principais fundos da indústria. Seu livro, “Presente Futuro: o mundo movido à tecnologia”, ganhou o Prêmio Jabuti na categoria de ciência e acaba de ser lançado nos Estados Unidos. 

O fundo II — captado ao longo de 2020 e com um ‘first closing’ em janeiro do ano passado —  tem cinco anos para montar o portfólio e outros cinco para fazer as saídas. 

O fundo já fez quatro investimentos diretos, além de alocar capital em nove fundos de VC. 

Um dos investimentos é a Desktop Metal, que foi listada na Nasdaq recentemente por meio de uma fusão com o SPAC Trine Acquisition. A Desktop vende impressoras 3D para indústrias de diferentes setores, aumentando a produtividade e o controle de estoques dessas empresas. 

“Na prática, é possível pegar um projeto de uma peça super complexa e literalmente apertar um botão e fabricar o projeto com precisão,” disse o gestor. “Além disso, como elas são feitas para produzir peças genéricas, uma mesma impressora usada para fabricar uma peça para a indústria automotiva pode ser transportada e usada no dia seguinte na indústria espacial.” 

Outro investimento recente: a Heliogen, que usa espelhos para gerar energia solar e já recebeu um investimento de Bill Gates e do Departamento de Energia dos Estados Unidos (que deu um ‘grant’ de US$ 39 milhões). 

Os equipamentos da startup refletem a luz do sol num alvo específico, atingindo temperaturas de mais de 1.500 graus Celsius que permitem gerar reações químicas caras e complexas. Em escala, a startup é capaz de gerar um KW/h mais barato que o das placas solares que existem hoje. 

Mas a grande sacada é que ela consegue literalmente engarrafar a energia gerada.   

“Com a reação química, ela sintetiza combustível líquido à base de hidrogênio, o que permite levar essa energia limpa para qualquer lugar,” diz Perelmuter. “Uma indústria pode, por exemplo, ter uma usina dessas numa fábrica e depois pegar a energia gerada que não foi usada e transportar para outra.”  

SAIBA MAIS

‘Deep value’ em ‘deep tech’ — a estratégia da GRIDS Capital