O Governo está revisando os preços-teto para o leilão de capacidade de energia de março, após a divulgação de valores bem abaixo do previsto que chocaram o mercado, gerando temores de um fracasso na licitação e riscos de abastecimento. 

“Tenho absoluta certeza de que vamos fazer a correção necessária para que o leilão seja competitivo,” disse o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ao participar de evento do BTG nesta tarde.

“Não queremos atrasar em nenhum dia o leilão, por isso queremos uma decisão até o final do dia.” 

Boopo Alexandre Silveira

A ação da Eneva acelerou ganhos e chegou a subir 6% por volta das 11h30, logo após a declaração de Silveira. Na véspera, o papel tombou 9%, chegando a cair 18% no pior momento do dia, pela frustração com os valores do leilão, no qual a empresa é vista como favorita. 

Silveira disse que ele e sua equipe ficaram acordados “até 1h40 da manhã”, diante do “barulho no mercado” com os valores. 

Ontem, a ação da Eneva negociou R$ 2 bilhões a um preço médio de R$ 18,73 . Hoje, negociou a R$ 21,00 após a fala do ministro. O “erro” do Governo na definição dos preços custou R$ 240 milhões para investidores que venderam no pânico. 

O preço-teto proposto inicialmente para o certame foi de R$ 1,6 milhão MW.ano para novas termelétricas a gás e R$ 1,12 milhão por MW. ano para existentes. 

As expectativas entre empresas e especialistas variavam entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões por MW.ano.  

O sócio-diretor do CBIE e host do videocast POWER, Adriano Pires, escreveu ontem no Brazil Journal que os preços divulgados eram uma obra de ficção regulatória” e “um convite ao fracasso”

Segundo Silveira, os cálculos da véspera foram feitos por técnicos com base em uma consulta a agentes de mercado, levando em conta uma média de valores. 

Agora, o diagnóstico é de que essa média não levou em consideração discrepâncias significativas entre a visão de algumas companhias.

O leilão de março tem como objetivo viabilizar termelétricas novas e recontratar existentes, para garantir atendimento à demanda principalmente em horários de pico de demanda, como no fim da tarde.

Também poderão participar projetos de expansão de hidrelétricas. Esses, no entanto, não conseguiriam substituir totalmente termelétricas caso essas usinas ficassem de fora devido ao preço inadequado, o que geraria riscos ao sistema, segundo técnicos do setor. 

Ao falar sobre o certame hoje, Silveira comentou que a demanda “tende a ser muito grande”, embora sem antecipar números. 

No mercado, a visão é de que a contratação total pode ficar em torno de 20 gigawatts em capacidade, disse uma fonte que acompanha o processo do leilão. 

Ontem à noite, já havia expectativa entre empresas do setor de que o Ministério revisaria os preços-teto, após diversas companhias terem enviado reclamações.

Juridicamente, o entendimento é de que ainda há tempo para mudança sem atrasar o leilão. “Bastaria um ofício do Ministério,” disse uma fonte. 

Além da Eneva, empresas como a Petrobras e a Âmbar Energia, da J&F Investimentos, também são prováveis participantes. A Copel e a AXIA Energia estão entre as que devem concorrer com projetos de expansão de hidrelétricas.