A ação do Nubank cai mais de 8% hoje na Nasdaq depois das notícias de que o banco digital está negociando a compra da britânica Monzo Bank – uma transação transformacional para a fintech brasileira, mas que carregaria riscos de execução relevantes.
Com a queda de hoje, o Nubank vale US$ 60 bilhões na Nasdaq. O papel cai 21% nos últimos doze meses.
O Nubank está negociando uma operação em dinheiro e ações que poderia avaliar o Monzo entre £ 8 bilhões e £ 10 bilhões.
Alternativamente, o Monzo também estuda vender uma fatia de até 15% a fundos de venture capital numa nova rodada. Uma terceira opção seria um IPO na Bolsa de Londres.
Um gestor comprado na ação disse ao Brazil Journal que ainda é difícil avaliar a operação por não haver todas as informações disponíveis.
“Mas é um negócio que tem um risco de execução grande. O mercado inglês é bem regulado, então teria todo o desafio de lidar com um regulador novo,” disse ele.
Além disso, “eles estão entrando agora nos Estados Unidos e nunca fizeram um M&A tão grande. Se fosse no preço certo seria um ativo muito específico e único e eu veria com bons olhos. Mas no preço que estão falando, me parece caro demais.”
Esse gestor notou ainda que o banco de David Vélez tem uma experiência negativa com M&A: a compra da Easyinvest por R$ 2 bilhões antes do IPO, que foi “muito mal feita”, com uma integração ruim e poucas entregas, disse este gestor.
De lá para cá, o Nubank fez outros M&As e investimentos menores, incluindo a compra da Hyperplane, mas todos com um perfil de acqui-hire.
No Citi, o analista Gustavo Schroden disse que estrategicamente os prós da transação poderiam ser “transformacionais.”
O Monzo proporcionaria “uma diversificação imediata para mercados desenvolvidos, reduzindo a exposição à volatilidade cambial dos mercados emergentes, permitiria o acesso a depósitos em libras esterlinas em moeda forte e abriria um caminho imediato para implementar os algoritmos de concessão de crédito de baixo custo do Nubank em uma base de consumidores de primeira linha, altamente fidelizada,” escreveu o analista.
Os riscos, no entanto, também são grandes.
“A integração de operações bancárias transfronteiriças em diferentes regimes macroeconômicos provavelmente atrairia um intenso escrutínio por parte da PRA e da FCA no Reino Unido, exigindo uma segregação rigorosa de capital, maiores gastos com compliance e uma complexa supervisão multinacional da solvência.”
Fundado em 2015, o Monzo está presente na Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte – e agora está se expandindo para a Irlanda e Espanha. São 16 milhões de clientes, sendo 15 milhões de pessoas físicas e 1 milhão de PJs.
O Monzo fez uma receita de £ 1,7 bilhão no ano passado, 39% a mais do que no ano anterior; e um lucro antes de impostos de £ 172,6 milhões, uma alta de 20%.
No Bradesco, o analista Marcelo Mizrahi foi ainda mais cético. Para ele, a potencial transação seria uma distração do foco atual da empresa (os Estados Unidos e o México), “enquanto ainda não está 100% claro qual seria a aderência da operação ao plano de expansão da empresa.”
O Bradesco notou ainda que o valuation reportado implica um múltiplo P/L de 93-116x e de 5x receita para a transação, “o que parece caro para uma companhia que não está mostrando um crescimento significativo do lucro e com um portfólio de crédito relativamente pequeno.”
Para efeito de comparação, o próprio Nubank negocia com um desconto significativo em relação a esses números, com um P/L de 21x e a 3,5x receita.
No final das contas, disse o analista do Citi, “embora o Monzo proporcione escala para estabelecer o Nubank fora da América Latina, o sucesso dependeria da capacidade do Nubank de replicar seu custo operacional extremamente baixo por cliente em um ambiente bancário do G10, altamente regulado e com uma estrutura de custos elevada.”











