Em contraste com o que se vê na bolsa brasileira, os mercados de ações de países emergentes receberam investimentos estrangeiros pela sexta semana seguida.
A captação líquida dos fundos de ações de emergentes foi de US$ 1,2 bilhão entre 13 e 19 de agosto, segundo um relatório do JP Morgan que saiu hoje. Em quatro semanas, o fluxo foi de US$ 11 bilhões.
Já a Bolsa brasileira “continua vivendo um heavy selloff”, disse o JP: perdeu US$ 1,6 bilhão de 12 a 18 de agosto (o banco coleta os dados brasileiros com um dia de defasagem).
Na semana anterior, a B3 já havia sofrido resgates de US$ 2,3 bilhões – na maior saída semanal de recursos desde março de 2020, auge do choque inicial da pandemia.
Em quatro semanas, os saques no mercado local somaram US$ 4,3 bilhões. No ano, o saldo é positivo em US$ 2,8 bilhões, ainda graças ao fluxo que inundou o mercado de janeiro a março.
Os números indicam que o valuation descontado das companhias brasileiras não tem sido suficiente para atrair investidores em meio aos diversos problemas locais, da incerteza eleitoral ao impacto dos juros altos sobre os balanços de bancos e empresas.
Entre o fim de julho e o começo de agosto, os resgates foram liderados pela GQG, uma casa americana especializada em emergentes, segundo gestores brasileiros.
As bolsas da América Latina perderam US$ 770 milhões em recursos estrangeiros na última semana e US$ 1,1 bilhão em quatro semanas, segundo o banco.
Já a Coreia reverteu uma sequência de resgates e recebeu US$ 1,1 bilhão de 13 a 19 de agosto. Taiwan, outro mercado movido a AI, captou US$ 2 bilhões.
O relatório do JP mostra ainda que a preferência dos investidores por ETFs continua clara – embora o ritmo de resgates nos fundos de ações tenha diminuído recentemente.
No ano, os ETFs receberam US$ 108 bilhões em aportes líquidos, enquanto os fundos tiveram resgates de US$ 34 bilhões.

Na última semana, os ETFs captaram US$ 1,4 bilhão, enquanto os fundos perderam US$ 245 milhões.
Entre março e meados de julho, os saques nos fundos somaram mais de US$ 2 bilhões por semana.






