A Amaggi está entrando no capital da FS Bio, numa transação que une dois gigantes do agronegócio e reforça a aposta no etanol de milho.

A companhia da família Maggi está pagando US$ 1 bilhão para comprar 40% da FS, uma empresa pioneira na produção de etanol de milho, fontes a par da negociação disseram ao Brazil Journal. O negócio ainda depende de aprovação do CADE.

A transação envolve uma tranche primária de US$ 100 milhões e uma secundária a ser paga em três parcelas anuais, começando no closing.  

A operação aproxima dois grupos com raízes no Mato Grosso e perfis complementares: a Amaggi é a maior empresa brasileira de grãos e fibras, com uma atuação que vai da originação à logística e energia. Já a FS, controlada pelo grupo americano Summit Agricultural, é focada em biocombustíveis e nutrição animal.

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“Estou confiante no que estamos construindo juntos, especialmente no alinhamento de valores, na visão de longo prazo e na capacidade de execução que fundamentam este negócio,” disse Blairo Maggi, acionista e um dos fundadores da Amaggi.

Fundada em 2017, a FS processa mais de 6 milhões de toneladas de milho por safra e produz 2,6 bilhões de litros de etanol por ano. A receita líquida da companhia alcançou R$ 12,8 bilhões em 2025.

A Amaggi vinha estudando há anos sua entrada no etanol de milho — um setor que ganhou relevância com a expansão acelerada da produção de milho no País e o avanço de políticas públicas para combustíveis renováveis.

Em setembro, a Amaggi chegou a anunciar uma JV com a Inpasa, outra gigante do etanol de milho, para construir pelo menos três usinas de etanol do grão em Mato Grosso, num investimento total de R$ 6,9 bilhões.

Mas pouco mais de um mês depois, as tratativas entre as empresas foram encerradas por divergências na governança entre os sócios. A Amaggi, então, disse que seguiria sozinha no plano de construir as usinas. 

No mercado de biocombustíveis, não era segredo a intenção da FS de buscar um sócio. A empresa tem um endividamento na casa dos R$ 10 bilhões. 

Um namoro com a Petrobras quase virou casamento no final de 2025. Segundo um experiente executivo do mercado agro, a estatal estaria disposta a pagar US$ 1,3 bilhão por uma parcela minoritária da FS. As etapas de due diligence foram cumpridas, mas a operação foi barrada pelo conselho da Petrobras. 

Para a FS, o desfecho com a Amaggi foi muito melhor, já que a companhia de Blairo é uma das principais originadoras de grãos no agronegócio brasileiro, além de ter uma infraestrutura logística afiada e custo de capital menor.

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Bruce Rastetter, o fundador da Summit Agricultural Group, disse que a parceria reúne duas empresas com fortes sinergias, e que a Summit “sempre buscou ser líder em combustíveis renováveis, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil.”

Rastetter é um dos maiores empresários do setor de etanol de milho nos EUA, tem fortes laços com o governo Trump e vem expandindo seus negócios em novas frentes ligadas à transição energética e aos combustíveis renováveis. 

Uma das empresas de Rastetter, a Summit Carbon Solutions, está tentando construir um duto de 3,5 mil km, com capex de quase US$ 5 bilhões, para transportar carbono capturado no Meio-Oeste americano. 

O projeto que ligaria 57 usinas de etanol enfrenta resistência de agências reguladoras, ambientalistas e agricultores. A companhia disse recentemente que está revisando o projeto e deve lançar uma versão menor – e menos polêmica. 

No Brasil, a FS vai inaugurar em setembro sua primeira unidade de captura e armazenamento de carbono, na usina de Lucas do Rio Verde, com capacidade para armazenamento de 423 mil toneladas de carbono por ano. Hoje a companhia tem três usinas de etanol de milho em operação e inaugura sua quarta unidade ainda em 2026.

A FS trabalhou com o Santander, a Evercore e o Mattos Filho.

A Amaggi foi assessorada pelo Santos Neto Advogados.