A JBS NV – a empresa que controla a JBS globalmente – anunciou hoje que o Danantara, o fundo soberano da Indonésia, vai investir US$ 2,5 bilhões numa joint venture composta pelos ativos da companhia na Austrália e Nova Zelândia.

A transação – que dará ao Danantara 25% da JV – avaliou os ativos da JBS na Austrália em US$ 7,5 bilhões, metade do valor de mercado inteiro da empresa dos irmãos Batista.

A ação sobe 4,5% no meio do pregão, com a empresa valendo US$ 15,8 bilhões na Bolsa de Nova York. 

No fechamento da transação – que ainda depende de aprovações regulatórias – o fundo soberano vai investir US$ 800 milhões na JV, que vai buscar oportunidades de crescimento na Indonésia, Sudeste Asiático, Austrália e Nova Zelândia. 

Wesley Batista ok

Ao longo dos três anos seguintes, o Danantara investirá o US$ 1,7 bilhão remanescente conforme a JV for encontrando oportunidades e chamando mais capital.

A ideia, segundo a JBS, é investir em projetos greenfield e brownfield nesses mercados, além de fazer aquisições de plantas e empresas de proteína que já estejam em operação.

Nos primeiros dois anos após o closing dos US$ 800 milhões, os investimentos só poderão ser feitos na Indonésia; a partir do terceiro ano, a JV terá flexibilidade para investir nos demais mercados.

A companhia disse ainda que após a conclusão do investimento total do Danantara, a JV deve buscar captar mais US$ 2,5 bilhões em dívida, elevando o montante total para US$ 5 bilhões. 

Este é o segundo negócio com um fundo soberano que a JBS celebra este ano – sempre tendo como backdrop a busca dos governos por segurança alimentar. Em fevereiro, a empresa dos Batista fez uma sociedade com o Oman Food Capital, o braço do fundo soberano de Omã, na qual comprou 80% de um pacote de ativos por US$ 150 milhões e se tornou a operadora. 

No Citi, a analista Renata Cabral disse que o anúncio de hoje é bullish para a ação da JBS, já que “fornece um valuation externo confiável para um dos melhores ativos da JBS, ao mesmo tempo em que traz capital de terceiros para financiar a expansão na Ásia.”

Nas contas da analista, os ativos da Austrália foram avaliados a 8x EV/EBTIDA, acima do múltiplo em que a própria JBS negocia hoje na Bolsa, de 6x EBITDA.

O fundo soberano incluiu no contrato um cláusula de proteção. Caso o EBITDA da operação da Austrália de 2026 e 2027 fique abaixo do de 2025 (um ano recorde para o negócio, com US$ 981 milhões de EBITDA), o Danantara terá direito a ações compensatórias, de até 5% a mais do capital.

Além disso, a JV deve buscar um IPO nos próximos anos. Caso isso não aconteça em até seis anos, o Danantara terá o direito de trocar todas as suas ações na JV ou parte delas por novas ações da JBS, cujo valor será a média dos 90 pregões anteriores ao exercício do direito. O direito de troca expira depois de 12 anos da conclusão da transação ou no caso de um IPO. 

“Achamos que a transação importa mais pelo que ela fala sobre o valuation da JBS do que pelo que ela faz para os resultados de 2026,” disse a analista do Citi. 

Segundo ela, apesar do Danantara estar pagando um múltiplo elevado, “a JBS não receberá caixa no nível da holding, e o direito de conversão poderá, no futuro, resultar na emissão de novas ações da JBS.”

“Nada disso resolve os problemas da operação de carne bovina nos Estados Unidos. Ainda assim, vemos o anúncio como positivo para as ações: ele fortalece a tese de valorização baseada na soma das partes, traz capital de crescimento de um investidor independente e pode criar um potencial catalisador para um IPO,” disse Renata.

No BTG, o analista Thiago Duarte chegou a números ainda mais positivos.

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Segundo ele, a JV vai carregar uma dívida líquida de cerca de US$ 1 bilhão, implicando num enterprise value da JV de US$ 8,5 bilhões (pre-money).

“Estimamos que a operação da JBS na Austrália vai gerar um EBITDA de US$ 760 milhões este ano, implicando num múltiplo da transação de 11,2x,” escreveu o analista. “Atualmente, vemos a JBS negociando a 7x, o que significa um acréscimo de US$ 2,5 bilhões a seu EV, ou 16% do market cap.”

O analista nota, no entanto, que a geração de valor diminui considerando o mecanismo de ajuste da posição do Danantara incluído no contrato. 

Para cada 5% de queda no EBITDA médio da JBS Austrália em 2026 e 2027, em comparação a 2025, a posição do fundo soberano na JV aumenta em 1 ponto percentual. “Como estimamos um EBITDA médio no período 16% menor que o de 2025, esperamos que a posição final do Danantara chegue a 28%,” disse o BTG.

“Isso reduziria o equity value pre-money implícito da JV para cerca de US$ 6,4 bilhões, e implica uma geração de valor de US$ 1,4 bilhão para a JBS, ou 9% de seu market cap.”