Os tempos em que o mercado se preocupava com o declínio da ESPN já se foram, e hoje a Disney é quase uma unanimidade entre os investidores.   

Num relatório divulgado ontem, a Morgan Stanley fez mais coro ainda: disse que o lucro da companhia pode dobrar até 2024 na esteira do sucesso dos filmes da Marvel e do lançamento do Disney Plus. 

A estimativa é que o lucro passe de US$ 6,5 por ação para entre US$ 11 e US$ 12. 

Este ano, as ações da Disney já sobem cerca de 30%, dando à companhia um valor de mercado de US$ 250 bilhões.

“Embora a Disney enfrente um grande desafio de execução no seu serviço de streaming, seu portfólio de marcas e o apetite dos consumidores por conteúdos de streaming dão uma grande chance de sucesso para a plataforma,” escreveu Benjamin Swinburne, o analista da Morgan Stanley.

Previsto para ser lançado em novembro, um dos atrativos do Disney Plus é o preço abaixo dos concorrentes. A assinatura custará US$ 6,99 por mês o menor valor entre os players do setor e US$ 2 abaixo do que a Netflix cobra.

A meta da Disney é chegar a uma base de 60-90 milhões de assinantes até 2024, dos quais dois terços estarão fora dos Estados Unidos. Para efeito de comparação, com sete anos de estrada, a Netflix tem mais de 150 milhões de assinantes no mundo.

Mas se o Disney Plus é uma promessa, o sucesso da Marvel é uma realidade.

Nos últimos cinco anos, só os filmes da Marvel responderam por entre 10% a 15% de toda a receita das bilheterias americanas. “Isso prova que a Marvel conseguiu ir além da demanda dos fanboys e chegar a um mercado de massa, algo que será fundamental para a Disney Plus entregar seus targets ambiciosos,” disse o analista.

Incluindo todas as suas franquias, a Disney comanda um market share de 30-40% das bilheterias nos Estados Unidos. “Há uma crença de que a Disney domina 38 dos 52 fins de semana do ano,” Jim Cramer disse na CNBC. “Isso é o máximo de crescimento não-cíclico e secular que se pode conseguir.”

Para a Disney, a Marvel tem sido um investimento de fazer inveja a Warren Buffett. O CEO Bob Iger pagou US$ 4 bilhões pela editora de histórias em quadrinho em 2009, e desde então já faturou mais de US$ 18 bilhões só na bilheteria. (No ano passado, o filme “Vingadores: Ultimato” se tornou a maior bilheteria da história do cinema, rendendo US$ 2,79 bilhões, ultrapassando em apenas US$ 1 milhão o faturamento de “Avatar”, da 20th Century Fox  recentemente vendida… à Disney.)

 

Mas, assim como seus heróis, a Marvel ainda deve continuar manifestando seus superpoderes no balanço da Disney.

No final de semana, a companhia anunciou o que chama de ‘fase 4’ do Marvel Cinematic Universe (MCU). Trata-se das próximas produções do estúdio, que se somam aos 23 filmes do portfólio e serão lançadas ao longo dos próximos dois anos. 

Serão dez filmes e séries: cinco para o cinema, e cinco para o serviço de streaming. Segundo a empresa, o Disney Plus vai ganhar um spinoff do Capitão América e dois spinoffs dos Vingadores, além de uma animação chamada “What If…?” e da série “Hawkeye” (Gavião Arqueiro, na tradução para o português). 

Para o Morgan Stanley, os lançamentos ajudarão a atrair e reter os “fãs da Marvel no período de intervalo entre os lançamentos no cinema,” além de ajudar a conquistar assinantes internacionais.