O controlador do PagBank, Luiz Frias, está deixando o cargo de chairman depois de nove anos – um movimento que está sendo recebido por analistas como uma evolução na governança da companhia de pagamentos.

Frias – que controla o PagBank por meio do UOL com 88,7% do capital votante – será substituído por Judith de Brito, uma veterana e braço direito da família Frias que está há 36 anos no grupo Folha e no board da PagBank desde 2017.

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A saída de Frias foi uma surpresa para o mercado e dentro da própria companhia, porque o empresário não havia avisado ninguém previamente e o movimento não foi planejado. 

O vice-chairman Eduardo Alcaro vai continuar na posição. (Os outros conselheiros indicados pelo controlador são Arthur Gaulke Schunck e Alexandre Magnani; os conselheiros independentes são Marcia Nogueira de Melo, Maria Carolina Lacerda e Cleveland Prates.)

No Citi, o analista Gustavo Schroden disse que a mudança é “marginalmente positiva” do ponto de vista de governança, mas que no curto prazo o impacto na estratégia e nos fundamentos “deve ser limitado.”

“Frias vai continuar como o controlador indireto, e a Judith é uma executiva de longa data do grupo,” escreveu o analista. “Vemos o movimento, portanto, como uma evolução da estrutura de governança da companhia e não como uma mudança no controle ou na estratégia.”

O analista disse ainda que, para a tese de investimentos, ele continua vendo “crescimento, qualidade de crédito, NII, eficiência e rentabilidade como drivers muito mais importantes do que uma mudança no board.”

O PagBank tem duas classes de ações. O UOL/Grupo Folha tem 45,3% do capital total – incluindo 100% da ações Classe B, que dão direito a voto, enquanto o mercado detém 49,5% da companhia.

O papel está de lado nos últimos 12 meses e cai 10% desde o início do ano, cotado a US$ 8,62 no fechamento de sexta-feira.

A companhia vale US$ 2,4 bilhões na Bolsa de Nova York.