Myron “Mike” Ullman III — que vai substituir Howard Schultz como chairman do Starbucks a partir de hoje — está no conselho da empresa há 15 anos e fez sua carreira no varejo.
 
No início dos anos 90, Ullman era chairman e CEO da companhia que controla a Macy’s e, em 1995, foi comandar a DFS, uma rede de lojas duty-free baseada em Hong Kong que é a maior rival da Dufry.
 
A DFS era controlada pela LVMH Moet Hennessy Louis Vuitton, a holding de luxo de Bernard Arnault, que mais tarde puxaria Ullman para trabalhar em Paris. Entre 1999 e 2002, Ullman foi o principal executivo de Arnault na LVMH.
 
Ele também já foi conselheiro da Ralph Lauren Corporation, da Saks, e da Federated Department Stores (que comprou a Macy’s na concordata em 1994).
 
Mas a maior projeção de Ullman no varejo veio quando ele liderou a JC Penney, onde foi CEO duas vezes.
 
Na primeira, entre 2004 a 2011, Ullman foi defenestrado por Bill Ackman, o gestor ativista que havia comprado uma participação na Penney e conseguido um assento no conselho. A JC Penney era rentável, mas Ackman achava a gestão de Ullman medíocre e reclamava da perda de share para concorrentes como a Macy’s e a Kohl’s.
 
Ackman convenceu o board a recrutar Ron Johnson, o pai da Apple Store, para uma gestão que prometia nada menos que a reinvenção do varejo físico.
 
Mas em apenas 17 meses, a gestão Johnson explodiu de forma espetacular — o faturamento caiu 25%; a ação da Penney, 50%. 
 
Ullman voltou como CEO interino em abril de 2013 e, em agosto, Ackman já estava em campanha para demiti-lo de novo.
 
Na época, Schultz, que já conhecia Ullman do conselho do Starbucks, veio em sua defesa, dizendo numa entrevista:  “Ackman e Ron Johnson foram os co-autores de uma estratégia que fraturou a empresa e arruinou a vida de milhares de funcionários da JC Penney. … Bill Ackman tem sangue nas mãos por ser o arquiteto e o recrutador de Ron Johnson e depois co-autor da estratégia.”  
 
Ullman durou no cargo até 2015.  Segundo seu sucessor, “não havia na face da Terra dois ou três executivos que poderiam ter salvado a Penney. Sem dúvida, Mike é uma das principais razões pelas quais a empresa ainda existe.”
 
O novo chairman do Starbucks tem um problema na coluna que o obriga a se locomover com uma ‘segway’, aquele patinete elétrico que seguranças de
shopping usam no Brasil e é comum nos EUA.
 
Ullman mandava na JC Penney quando a rede americana era a dona das Lojas Renner.
 
Em seu livro de memórias, o CEO da Renner, José Galló, narra o dia em que Ullman foi visitar a loja da Renner no Iguatemi de Porto Alegre. Como os brasileiros nunca tinham visto uma segway, quando as pessoas viam Ullman em cima do aparelho “achavam que a Renner estava fazendo algum tipo de promoção,” escreveu Galló. (Ullman é um cliente tão fiel da Segway que está no board da empresa que fabrica os carrinhos.) 
 
Foi com Ullman que Galló teve as conversas que levaram a JC Penney a vender sua participação na Renner na Bolsa, criando a primeira companhia brasileira de capital pulverizado.