O Grupo Carso, conglomerado do empresário mexicano Carlos Slim, está ampliando seus negócios no setor de petróleo do país com a compra da participação da TotalEnergies em um bloco em águas rasas.
O grupo, por meio da subsidiária Zamajal, ficará com a fatia de 30% que os franceses detêm no Bloco 30, na Bacia de Salina, a 29 km da costa no Golfo do México, que contém a descoberta conhecida como KAN.

A transação, cujo valor não foi revelado, vem dois meses após Slim ter afirmado em sua coletiva de imprensa anual que a estatal mexicana de petróleo Pemex atravessa uma crise que ele qualificou como “o mais importante” problema econômico do país.
Na ocasião, o empresário também disse que não pretende fechar novas parcerias com a estatal neste momento.
A Pemex vive uma situação que lembra em muitos aspectos a da Petrobras do passado recente – em meio a planos de gigantismo do Governo para a companhia, tornou-se a petroleira mais endividada do mundo (posto ocupado pela brasileira uma década atrás).
Com um endividamento de mais de US$ 85 bilhões, a Pemex não consegue investir o suficiente para manter ou elevar a produção, que tem decaído gradualmente para os atuais 1,6 milhão de barris.
O grupo Carso é o maior parceiro privado da estatal, com a qual tem sociedades no megacampo de Zama e no projeto de gás de Lakach.
Em meio à decadência da parceira, o conglomerado de Slim tem aproveitado para ampliar seus negócios no setor.
Em janeiro, o grupo divulgou um acordo avaliado em cerca de US$ 600 milhões para ficar com a participação da russa Lukoil em dois campos petrolíferos mexicanos.
Agora, na transação com a TotalEnergies anunciada na sexta-feira, a Carso adicionou a seu portfólio um bloco com área total de 30,5 km², na província petrolífera de Cuencas del Sureste, licitado pelo governo em 2018. O ativo deverá produzir petróleo leve e seguirá operado pela Harbour Energy, que tem 70% de participação.
O México produzia cerca de 3,5 milhões de barris de petróleo por dia no início dos anos 2000; depois, viu a extração recuar gradualmente para os 1,6 milhão de barris atuais, em meio ao declínio de campos maduros e da situação financeira da Pemex.
O país, que chegou a ser um dos maiores produtores do mundo no passado, conduziu uma reforma energética entre 2013 e 2014, com o Presidente Enrique Peña Neto quebrando o monopólio da Pemex e leiloando áreas para tentar reavivar a produção.
Nessa época, foram licitados ativos incluindo o Bloco 30 agora adquirido pela Carso, atraindo empresas privadas estrangeiras como a TotalEnergies.
Mas o Governo de Andrés Manuel López Obrador, a partir de 2018, promoveu uma reviravolta no setor, com uma verdadeira “contrarreforma”. Ele recuou na abertura do mercado e voltou a apostar numa política de fortalecimento da Pemex – que não conseguiu nem elevar a produção nem melhorar a situação da estatal.
A atual gestão, da Presidente Claudia Sheinbaum, a sucessora de Obrador, mantém a linha de aposta na Pemex, porém buscando parcerias para recuperar os investimentos – inclusive com um memorando de cooperação assinado com a Petrobras no final de junho.
Para sanear a companhia, o Governo mexicano anunciou no ano passado medidas que incluíram a criação de um fundo que aportará recursos em seus projetos estratégicos e será usado também para pagamento de fornecedores. Na ocasião, a promessa foi de que a petrolífera não precisará mais de aportes do Tesouro a partir de 2027.











