Uma ideia nem líquida nem certa (but worth trying)

Uma ideia nem líquida nem certa (but worth trying)

Em 2016, Fabiana Szwarcgun estava em Salt Lake City, Utah, quando parou num café para pedir uma garrafinha de água. Ao receber o pedido, não entendeu nada. 

“Quando vi a caixinha achei que aquilo era leite,” ela disse ao Brazil Journal. 

Fabi saiu do café com a caixinha na mão e uma ideia na cabeça: criar no Brasil uma marca semelhante, substituindo as famigeradas garrafas PET por uma embalagem mais sustentável e limpa num produto essencial para o dia a dia das pessoas. 

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Quatro anos depois, Fabi e Rodrigo Gedankien, seu sócio e primo, estão lançando a Água na Caixa, uma marca de água envasada que chegou aos supermercados semana passada. 

A embalagem da Água na Caixa — feita pela Tetra Pak — é 54% papel (feito com madeira de florestas certificadas) e 28% plástico verde (feito de cana de açúcar). O restante é alumínio, essencial para impedir a entrada de luz na embalagem mas ainda sem um substituto renovável. 

O objetivo da empresa é chegar numa embalagem feita 100% com materiais renováveis mas, enquanto isso, “já consideramos os 82% uma grande vitória, já que as embalagens de vidro e plástico usam 100% de materiais que não tem como repor na natureza.” 

A embalagem da Água na Caixa tem outro diferencial: todo o design é feito para estimular o reuso: o bocal, por exemplo, é maior que o das garrafinhas tradicionais, o que facilita para encher a garrafa novamente, e há alertas estimulando o reuso. 

Para tirar a ideia do papel, os dois fundadores levantaram R$ 3 milhões com ‘friends & family’. Segundo Rodrigo, a startup tem um modelo gerador de caixa, mas vai buscar novos recursos para acelerar o crescimento. 

Rodrigo já trabalhou na PPG Industries, uma multinacional que fabrica tintas, revestimentos e materiais especiais. Fabi trabalhou por seis anos na P&G e teve uma passagem pela Amazon. 

Inexistente no Brasil, a categoria de água na caixa já tem um mercado nos Estados Unidos, Europa e Canadá. 

Nos EUA, a precursora foi a Boxed Water is Better (a marca que Fabi bebeu em Salt Lake City). Recentemente, a JUST Water — fundada pelo filho de Will Smith, Jaden — foi avaliada em mais de US$ 100 milhões. 

No Canadá, a Flow — que também colocou a água na caixa — está se preparando para um IPO na Bolsa de Toronto.  

A Água na Caixa está em negociações com o varejo para chegar a mais de mil pontos de venda até o final do ano, com foco em São Paulo e no Rio. A marca começará a ser vendida também no marketplace da Amazon.

Segundo Rodrigo, uma das barreiras para o desenvolvimento do mercado é que os custos de produção da caixinha são maiores que os de uma garrafa de plástico, o que faz com que o preço para o consumidor final seja um pouco maior que o da maioria das marcas de água ‘de combate’. 

“Mas estudos mostram que o consumidor está disposto a pagar mais caro por produtos sustentáveis, e essa indústria tem crescido muito,” disse.

ARQUIVO BJ

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