A JiveMauá acaba de assumir o controle da Rota Verde, em Goiás, estreando seus investimentos em equity no setor de infraestrutura depois de converter em participação acionária uma dívida da antiga concessionária da rodovia, a Azevedo & Travassos.
A gestora tinha exposição anterior em infra por meio de fundos de crédito listados, e agora com o aprendizado decorrente da experiência na Rota Verde está pronta para buscar novos negócios, inclusive em leilões, Diego Fonseca, o CFO e COO da JiveMauá, disse ao Brazil Journal.
“Essa operação acabou nos possibilitando ter essa posição de controle num ativo que entendemos que é muito interessante. Mas também não é algo que deveria ser um ativo só, stand-alone. A ideia é continuar crescendo nessa direção.”
“Já tem coisas no nosso pipeline que são situações de oportunidade/stress. Isso vamos continuar fazendo, buscando. Contudo, existem oportunidades de novos leilões de ativos que têm uma sinergia muito boa, por exemplo, com a própria Rota Verde,” disse o CFO.
Segundo ele, já estão na mira dois projetos rodoviários no Centro-Oeste que devem ter editais publicados ainda neste ano, e o plano é futuramente entrar em novas áreas da infraestrutura.

“Temos muita proximidade com vários segmentos, como credores que deram dinheiro para financiar expansões ou para resolução de problemas. Isso traz ensinamentos importantes na hora de fazer um movimento para ser acionista, ou mais que isso, controlador.”
No caso da Rota Verde, a JiveMauá havia injetado R$ 400 milhões para financiar a parte de equity da Azevedo & Travassos no projeto, arrematado por esta em um leilão de dezembro de 2024.
Só que a Azevedo & Travassos havia acabado de ser comprada pela Reag – então conhecida apenas como uma gestora que vinha chamando a atenção com seu crescimento e diversas aquisições.
No ano seguinte, a Polícia Federal lançaria a Operação Carbono Oculto, acusando a Reag de envolvimento com o crime organizado e colocando a Azevedo & Travassos no meio de um turbilhão.
Foi então que, após conversas com o Governo e com a construtora Tecpav, sócia minoritária na Rota Verde, a JiveMauá decidiu converter seu crédito em ações, passando a ter 80% da concessionária, numa transação aprovada pela reguladora ANTT na última sexta-feira.
“Agora estamos no volante. O carro precisou dar uma parada no acostamento, trocar o pneu. Trocamos o pneu e voltamos a acelerar,” disse Bernardo Guterres, responsável por crédito estruturado na estratégia de Distressed & Special Situations da JiveMauá.
“Começamos a pedagiar a operação há cerca de um mês e os números têm convergido muito para o que olhávamos. Então conseguimos ser bem assertivos ao colocar nosso pé nesse mundo de equity em infra.”
Fora das rodovias, ele disse que a casa analisa potenciais oportunidades em outros segmentos como data centers e energia.
No setor elétrico, algumas possibilidades envolvem financiar o equity para investidores que venceram o leilão de capacidade de energia de março, além de ofertar soluções para geradores eólicos e solares que estão sofrendo com o curtailment.
“Nos próximos três a seis meses gostaríamos de já estar fazendo novos investimentos em rodovias. Mas estamos vendo bastante coisa para conseguir evoluir e desenvolver a atuação na parte de infra de uma maneira mais holística,” disse Fonseca, o CFO.











