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O Pix virou rotina – e o celular já virou a carteira do brasileiro.
Os números ajudam a explicar isso. Oito em cada dez brasileiros já pagam pelo celular no varejo físico. Nas contas por aproximação, o percentual é ainda maior: o smartphone é usado em 95% das transações.
Os dados são da pesquisa “Meios de pagamento no Brasil”, conduzida pela Zoop em parceria com a PiniOn e a Futuros Possíveis e que ouviu 1.745 brasileiros bancarizados.
E é exatamente a Zoop, uma empresa do iFood, que está no centro de boa parte dessas transações. Não à toa, a companhia é a infraestrutura financeira que ecossistemas como iFood, C6 e Nubank escolheram para escalar.
Mas apesar da popularidade do uso do smartphone pelos clientes, o mesmo não pode ser dito da ponta vendedora: apenas 27% dos vendedores utilizam seu celular como uma maquininha de pagamentos.
Cesário Martins, CEO da Zoop, enxerga um gap claro no mercado (e uma grande oportunidade). Segundo o levantamento, 40% dos consumidores já fizeram alguma transação pagando pelo celular do vendedor.
“Isso mostra que o consumidor já está pronto, mas temos um gargalo na ativação do lado do recebedor. É aí que a Zoop entra com infraestrutura, tecnologia e go-to-market,” disse Martins.
Segundo ele, o que diferencia a Zoop em um mercado cada vez mais disputado é uma combinação de fatores difícil de replicar rapidamente: mais de dez anos de experiência em serviços financeiros embarcados, chancela do Banco Central e conformidade com Open Finance.
Na prática, isso significa que empresas que querem embutir produtos financeiros no seu negócio não precisam construir essa infraestrutura do zero nem navegar sozinhas pela complexidade regulatória do setor. Ou seja, tudo pode ser feito pelos celulares.
“O Brasil vive uma janela única. Temos uma infraestrutura de pagamentos de classe mundial, um consumidor que adota tecnologia com velocidade impressionante e um mercado corporativo que ainda está descobrindo o potencial dos serviços financeiros como diferencial competitivo,” disse Martins.
Para acelerar a popularização dos seus produtos, a Zoop acaba de fechar contratos com Totvs, Conta Azul e Omiê, três das principais plataformas de gestão empresarial do Brasil.
Martins diz que esse é um movimento que reforça uma das apostas centrais da companhia: o embedded finance como alavanca de crescimento para ecossistemas de softwares de gestão.
A lógica é que essas plataformas já têm o que é mais difícil de construir: base de clientes, recorrência e dados transacionais. Ao embutir produtos financeiros, passam a gerar novas fontes de receita sem mudar o core do negócio.
“As grandes plataformas de gestão do Brasil falam com centenas de milhares de empresas todos os dias. Quando essa relação passa a incluir serviços financeiros, o resultado é uma plataforma muito mais difícil de ser substituída,” disse o CEO.
A Zoop já construiu esse caminho com empresas de perfis muito diferentes.
O iFood é o caso mais próximo. A plataforma usa a infraestrutura da Zoop para oferecer serviços financeiros a restaurantes e entregadores, integrando pagamentos e crédito dentro da própria jornada do app.
Fora do universo digital, empresas como Ultragaz, Chilli Beans e Align apostaram no mesmo modelo, cada uma embutindo produtos financeiros para criar novas receitas e aumentar o vínculo com seus clientes.
Segundo Martins, é a mesma lógica aplicada a setores onde o produto financeiro nunca foi o core, mas passou a ser um diferencial.
“Toda empresa vai virar, em alguma medida, uma empresa financeira. A questão é quem vai ter a infraestrutura para fazer isso bem,” disse Cesário.






