A SPX Capital está fazendo uma ampla reorganização em seus fundos multimercado, incluindo o fechamento de sua operação em Londres e a saída de um sócio relevante – uma tentativa da gestora de R$ 54 bilhões de voltar a performar depois de anos decepcionantes.

As mudanças em curso também visam reduzir custos, adequando o tamanho da área de multimercados – a mais importante da gestora – a uma nova realidade.

Rogério Xavier, o fundador da SPX, disse ao Brazil Journal que espera que os fundos sofram resgates depois do drawdown de março – quando o Raptor, seu veículo mais alavancado, perdeu 11,9% – e em meio ao ambiente de queda mais lenta dos juros no Brasil, o que favorece os investimentos em produtos de renda fixa incentivados, como CRIs e LCIs, em detrimento dos multimercados.

Rogério Xavier

“Devemos ter uma redução em AUM e, se a receita cai, precisamos ajustar o custo,” disse Xavier. “É um movimento natural de uma partnership que busca preservar o valor da sua ação. Não fazer nada não é uma opção.”

Fundada por ex-traders da tesouraria “ganhadora de dinheiro” do Banco BBM, a SPX hoje tem R$ 54 bilhões sob gestão, um patamar relevante mas longe dos quase R$ 80 bilhões que geria em 2022. 

De lá pra cá, outras estratégias – como crédito, ações e real estate – cresceram bastante, e com resultados superiores aos multimercados, o produto original e o carro-chefe da casa. 

Para cortar despesas, a SPX está fechando sua operação em Londres – totalmente voltada aos multimercados – até o fim do ano. 

Esse escritório, que chegou a ter 40 pessoas no passado, hoje tem menos de 15. Parte da equipe saiu recentemente, e os demais profissionais, se decidirem ficar, podem ser realocados em outras cidades.

A gestora também está reduzindo o escritório de Nova York, mas não pretende fazer mudanças em Singapura.

Outra mudança é a criação do cargo de head de fundos multimercado, assumido por Bruno Pandolfi, um dos fundadores da casa. Ele terá uma visão consolidada dos fundos e será o responsável final pelo desempenho.

“O diagnóstico é que é necessário ter clareza na liderança, com uma linha de responsabilidades bem definida e maior coesão na construção do portfólio,” disse uma pessoa próxima à gestora. 

Até agora, a SPX operava com 14 books independentes, sem qualquer centralização.

Os portfolio managers continuarão tendo autonomia para tomar risco, mas Pandolfi – que também é o head de moedas – vai acompanhar as posições no dia a dia, podendo fazer hedge e “alavancar as melhores ideias,” disse essa fonte.

Nessa nova estrutura, Xavier – que hoje está baseado em Portugal – passa a operar um book independente, focado em tentar antecipar eventos e buscar oportunidades de médio e longo prazo para gerar alfa. 

Em meio às mudanças, a SPX sofreu uma baixa importante. Marcelo Castro, que entrou na gestora em 2020 e se tornou um dos principais sócios, deixou a empresa no final de abril – em meio a especulações de que pretende montar um novo negócio.

Na sequência, sua equipe – que também ficava em Londres – foi toda demitida, segundo uma pessoa próxima aos profissionais. 

Castro integrava o conselho ao lado de Xavier, Pandolfi, Daniel Schneider (outro cofundador), Leonardo Linhares e Bruno Marangoni, e a expectativa era de que ele ajudasse a liderar esse processo de ajustes na empresa.

Nas reuniões de conselho em que foram discutidas as mudanças, Castro defendia que a casa tivesse um book único.

Mas a visão dos demais sócios era de que este não é o “DNA da SPX”, e que books separados, com P&Ls e remuneração distintos, são um modelo mais meritocrático. A opção foi manter a separação, mas com um head

Outra decisão dos sócios foi centralizar a tomada de decisões no Brasil, o que levou Pandolfi, que ficava em Londres, a se mudar para o Rio de Janeiro.

A mudança no papel de Pandolfi lembra o movimento feito seis anos atrás por Leo Linhares, o head de ações. 

Antes da pandemia, Linhares era o responsável pela gestão dos fundos de ações e também pelo book de bolsa dos fundos multimercado. A partir de 2020, ele passou a tocar apenas os fundos dedicados, e Murilo Oliveira assumiu a parte de bolsa dos multimercados. 

O resultado tem sido uma performance acima da média dos peers. O objetivo agora é tentar replicar este sucesso nos multimercado – cujos resultados têm sido sofríveis. 

Os dois carros-chefe da casa – os fundos Nimitz e Raptor (este último, mais alavancado) – perdem do CDI desde 2023. Desde o início deste ano, o Nimitz acumula perda de 1,9%, enquanto o Raptor cai 6,8%. 

Em março, um mês horroroso para os multimercado, o Raptor chegou a perder 11,9% – um dos piores resultados do segmento.

“Em gestão, ter um dream team nem sempre é o melhor modelo. A equipe precisa trabalhar bem junta,” disse um grande distribuidor. “A boa notícia é que a turma da SPX é pragmática e pode aproveitar esse momento para melhorar.”