A crença de que a Bolsa supera a renda fixa no longo prazo nunca funcionou muito bem no Brasil. Mas coloque ações americanas na carteira e o resultado é diferente – e não apenas por causa da AI.
Um levantamento da IP Capital mostra que, nos últimos 15 anos, apenas 33% das 50 companhias com maior peso no Ibovespa deram retornos superiores ao do CDI – entre elas: WEG, Sabesp, RD Saúde, JBS e várias de energia (veja o gráfico abaixo).
No agregado, enquanto o Ibovespa subiu 170% nesse período, o CDI ficou em 311%.

Já as 50 principais ações do S&P 500 todas valorizaram mais do que o CDI (excluindo a variação cambial) nesses 15 anos.
Para fazer o hedge do investimento em ações no exterior, a IP monta uma operação em que vende dólar futuro e fica exposta ao diferencial de juros entre o Brasil e os EUA (o carrego). Hoje esse diferencial está em torno de 8,5% ao ano.
“Como o juro aqui continua muito alto, o carrego é potente. Isso, somado à capacidade de geração de valor do mercado americano, é uma ótima alternativa de investimento para o brasileiro. É turbo em cima de turbo,” Pedro Andrade, um dos sócios e gestores da IP, disse ao Brazil Journal.
“A estratégia também funciona como proteção quando o governo acelera o fiscal, o que leva a aumentos de juros e, por consequência, do retorno via carry,” disse Bruno Barreto, outro sócio e gestor da IP.
Nos EUA, o papel que mais subiu em 15 anos foi a NVIDIA, com uma alta média anual de cerca de 50%. Na sequência, empresas como Tesla, Broadcom, Eli Lilly, Lam Research, Netflix, Micron Technology e Mastercard.
“Ou seja, não é uma tese puramente de tecnologia. Os EUA são um fenômeno de geração de lucro em diferentes setores,” disse Andrade.
Para aproveitar a oportunidade, o IP Participações, o principal fundo da casa, passou a investir dois terços do patrimônio em ações no exterior – dos quais 70% nos EUA – e o restante na Bolsa brasileira.
Há um ano, a fatia Brasil era maior que a internacional porque a gestora ainda via o mercado brasileiro como barato, o que mudou depois da alta ao longo de 2025 e início deste ano.
Hoje as maiores posições do fundo são Google, Microsoft e TSMC.
A gestora também vem investindo em empresas descontadas em razão do medo – que vê como exagerado – de disrupção pela IA, como Mastercard, Visa, Constellation Software e Booking.
No Brasil, o principal investimento é o Itaú, que está há mais de uma década na carteira. “O compounding é muito bom,” disse Barreto. “Boring is beautiful.”
Se a estratégia funcionar, ela pode reverter o resultado ruim do IP Participações nos últimos anos.
Um dos fundos de ações mais antigos do mercado, o IP Participações teve um início excepcional. Desde 1994, rendeu em média 20% ao ano – ou 31.000% no acumulado, o triplo do CDI. O Ibovespa subiu pouco mais de 5.383% nesse período, ou 13% ao ano.
Mais recentemente, no entanto, o retorno foi decepcionante. Nos últimos 12 meses ficou em 5%, bem abaixo dos 24% do Ibovespa e dos 15% do CDI. Em cinco anos, o fundo rendeu 28%, frente aos 31% do Ibovespa e 77% CDI.
A IP tem R$ 2,7 bi sob gestão.






