O Agibank começou hoje o processo de aprovação de seu IPO junto à SEC, buscando US$ 1 bilhão numa oferta majoritariamente primária na Bolsa de Nova York. 

Apesar de a oferta ainda não ter sido lançada, desde o filing na manhã de hoje a demanda por ancoragem já chegou ao equivalente a 15% da oferta, uma fonte a par do assunto disse ao Brazil Journal.

A oferta – que vem no mesmo momento em que o PicPay está no mercado – deve ser precificada no mês que vem. 

Os recursos serão usados pelo Agibank para reforçar seu crescimento no Brasil e na aquisição de outros negócios, produtos ou tecnologias. 

O Agibank oferece consignado, crédito pessoal, seguros e cartão de crédito. 

Marciano Testa

Com um modelo híbrido para atender clientes que não têm intimidade com ambiente virtual, o banco digital tem mais de 1.000 Smart Hubs que funcionam como agências para auxiliar esses clientes e cobrem todas as cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes. 

Esses clientes também não são core para os grandes bancos, que nos últimos 10 anos fecharam um terço de suas agências no País. 

No prospecto da oferta, o Agibank estima que 107 milhões de brasileiros – aproximadamente metade da população – estão sendo mal atendidos pelos incumbentes ou estão fora dos digitais. 

Em dezembro de 2024, a Lumina Capital, de Daniel Goldberg, investiu R$ 400 milhões no Agibank, avaliando o negócio em R$ 9,3 bilhões post-money. Goldberg está no conselho do banco. A Vinci Compass, que investiu no banco em 2020, também está no acordo de acionistas. 

O Agibank vai vender ações ordinárias Classe A, com direito a 1 voto cada. As ações Classe B, com direito a 10 votos, são detidas exclusivamente pelo fundador Marciano Testa, que é o controlador, CEO e chairman.

O prospecto também ilumina o investimento que a Lumina fez no banco. 

No que é típico de pre-IPO equity rounds nos EUA (ou crossover rounds), a Lumina garantiu no acordo de acionistas um retorno preferencial mínimo de 21,5% ao ano – em troca de dividir o upside com o controlador caso seu retorno fique acima daquele retorno estipulado.

O prospecto mostra bandas de retorno – de 21,5% a 27,5%, de 27,5% a 35%, e acima de 35% – que serão divididos entre a Lumina e os acionistas do Agibank diluídos com sua entrada no capital, denotando que o preço de entrada da Lumina estava abaixo do que os acionistas acreditavam seria o valor de mercado justo.

No prospecto, o Agibank disse que desde 12 de janeiro voltou a oferecer crédito consignado aos beneficiários do INSS, depois de uma suspensão em dezembro por irregularidades, incluindo transações sem o consentimento expresso do cliente. 

Daniel Goldberg

O Agibank fechou um acordo com o INSS e se comprometeu a “fortalecer a verificação da documentação e os controles de consentimento do cliente; revisar e remediar transações passadas quando necessário; reduzir o volume de reclamações dos consumidores em todos os canais de atendimento; proibir a agregação de produtos de seguros com descontos em empréstimos consignados; abster-se de cobrar tarifas sobre descontos em empréstimos consignados,” entre outros pontos. 

No final de setembro, o Agibank tinha 6,4 milhões de clientes, um ROAE de 40,9% e uma carteira de crédito de R$ 33,8 bilhões. 

Nos nove primeiros meses do ano passado, o banco registrou receita líquida de R$ 7,7 bilhões e lucro líquido de R$ 832 milhões – e disse que espera lucrar cerca de R$ 1 bilhão em 2025.

Como o banco aumentou seu lucro a uma taxa média composta de 114,5% entre 2022 e 2024 (o maior crescimento de lucro entre os peers) – o Agibank deve buscar um múltiplo acima dos concorrentes.

Usando o lucro de R$ 1 bi do ano passado e aplicando o mesmo múltiplo de outro banco digital – o Nubank, que negocia a 27,5x o lucro de 2025 – o Agibank poderia valer algo em torno de R$ 27,5 bilhões.

Mas IPOs de bancos sempre carregam riscos, e o mercado costuma pedir um desconto.  Os investidores devem se debruçar sobre as provisões para passivos cíveis e risco de crédito.

O banco já tentou um IPO em junho de 2018, mas recuou. Na época, oferecia apenas crédito clean.

Os coordenadores globais do IPO são Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citigroup; Bradesco BBI, BTG Pactual, Itaú BBA, Santander, Societé Generale e XP são joint bookrunners.