A WIBX, uma criptomoeda criada por um grupo de brasileiros, está tentando gerar engajamento e usabilidade com uma proposta diferente: uma plataforma de marketing digital gamificada, na qual os usuários recebem a cripto toda vez que geram cliques para uma campanha. 

“Quando um usuário faz um compartilhamento, todo esse rastreio do que acontece com o link é registrado em blockchain,” o CEO da Wiboo (a dona da WIBX), Pedro Alexandre, disse ao Brazil Journal. 

“Isso faz com que o pagamento daquela verba publicitária fique muito clara: o cliente compartilhou, teve tantos cliques, por isso teve o pagamento.”

“O que nos atraiu na Wiboo é a solução tecnológica muito avançada,” diz Bruno Levi D’Ancona, sócio da Treecorp, que investiu na Wiboo. “Ela resolve um problema das empresas – que é o custo de aquisição de clientes – com uma combinação de loyalty com mídia e blockchain.”

Parte da tecnologia da WIBX vem do ITA, por meio de um acordo de cooperação técnica firmado há quatro anos. Os dois lados compartilham pesquisas e desenvolvimento em tecnologias como inteligência artificial, blockchain e realidade aumentada. 

Com mais de 500 mil pessoas cadastradas – que divulgam as campanhas – a plataforma da WIBX já fez testes com empresas como Via (a dona das Casas Bahia e do Ponto), Banco Pan, Sebrae e Santander.

Para a Via, por exemplo, a Wiboo fez uma campanha perto da Black Friday do ano passado para estimular as pessoas a baixarem o aplicativo da empresa.

Para trabalhar com a Wiboo, as empresas precisam comprar a criptomoeda no mercado para gastar na campanha (da mesma forma que gastariam com marketing digital no Facebook, por exemplo). A receita da Wiboo vem de fees que incidem sempre que a moeda é transacionada. 

A cada transação de WIBX a empresa fica com uma taxa de 0,2% quando a transação é feita numa exchange parceira, e de 2,2%, quando a transação é feita dentro da própria plataforma – por exemplo, para transferir o ativo para uma exchange. 

Na prática, a plataforma de marketing digital é uma forma da Wiboo criar usabilidade para sua moeda, gerando transações e valorizando o ativo. 

Para as empresas, a plataforma “é muito interessante porque elas podem parametrizar tudo: em quais redes sociais os usuários podem compartilhar a campanha, quanto de moeda ele vai dar para cada rede, quanto vai dar para cada usuário único, e por aí vai,” disse o CEO. 

Depois de ganhar as moedas, os usuários da Wiboo podem comprar produtos e serviços num marketplace dentro da plataforma, ou trocar suas WIBX por outras criptomoedas em exchanges.

A WIBX – que já está listada em exchanges como o Mercado Bitcoin – nasceu em 2015 com a emissão de 12 bilhões de moedas, um estoque finito. Desse total, 5,5 bi já estão sendo negociadas no mercado. O restante está nas mãos da empresa, que pretende colocar mais supply no mercado ao longo dos próximos dez anos. 

A WIBX está sendo negociada hoje a R$ 0,035, com um valor de mercado de R$ 440 milhões. No ano passado, a moeda transacionou R$ 2,1 bilhões.

A startup é a única cripto brasileira que contratou uma das Big Four (a KPMG) para auditar as regras da moeda, segundo Pedro. 

A Wiboo já levantou R$ 15 milhões com o family office dos controladores da Shibata, a rede de supermercados; com sócios da Treecorp, a gestora de VC que já investiu no Zee.Dog; e o publicitário Roberto Justus. 

Agora, a startup está em conversas para uma Série A entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões para acelerar o go to market da plataforma de marketing digital e começar um processo de internacionalização do negócio. 

O conselho consultivo da startup – remunerado com as criptos – inclui o VC de tecnologia Guga Stocco; Eduardo Terra, especialista em varejo e conselheiro da Petz; Walter Sabini Júnior, sócio da HiPartners; Walter Longo, ex-CEO da Abril; Caio Mesquita e Felipe Miranda, da Empiricus; e Caco Alzugaray, o controlador da Editora Três, dona da Istoé.