O varejo pet está se consolidando em torno de alguns poucos nomes — mas o nicho de mercado que trata da saúde dos bichinhos ainda é um verdadeiro oceano azul.

Não há nenhuma rede de hospitais para pets consolidada, e o mercado continua fragmentado em hospitais regionais pouco profissionalizados.

Dois ex-executivos do BTG estão tentando mudar isso.

Chang Lee, que trabalhou seis anos no private equity do banco, e Rodrigo Gatti Pinheiro, um ex-analista da mesma área, estão construindo a WeVets, uma espécie de ‘Rede D’Or dos pets’ — comprando hospitais de referência nesse setor e abrindo outros do zero.

Os fundadores acham que a analogia com a empresa dos Moll é imperfeita:  “Nosso modelo de negócios é muito mais próximo a uma Oncoclínicas do que Rede D’Or. Como são os veterinários de bairro que indicam os nossos hospitais, o relacionamento é muito importante.”  

A WeVets já tem um portfólio de sete hospitais — incluindo o Hospital Rebouças, um dos mais tradicionais de São Paulo, e o Mundo Animal, referência em Porto Alegre. 

Para financiar a empreitada, a WeVets já levantou R$ 100 milhões com a TreeCorp, a mesma gestora que investiu na Zee.Dog, hoje parte da Petz. 

“Em vez de focar nos serviços de baixo valor agregado, estamos focando apenas na alta complexidade: diagnósticos, internações, cirurgias e especialidades como cardiologistas e oncologistas,” Chang disse ao Brazil Journal. “Já existem muitos desses hospitais regionais, que são tocados por veterinários. Mas estamos trazendo profissionalização, melhores práticas e tecnologia para oferecer uma medicina realmente de ponta.”

O nicho é pouco profissionalizado, o que torna a oportunidade gigantesca. 

Além da WeVets, há apenas dois outros players apostando nessa frente: a Pet Care, que tem cinco unidades em São Paulo, e a Seres, que pertence à Petz e tem alguns poucos hospitais de alta complexidade, além de uma rede ampla de clínicas veterinárias. 

O plano da WeVets é chegar a 20 hospitais num horizonte de 12 a 18 meses, com um mix de aquisições e greenfield. Como o Brasil tem 500 hospitais para pets, a expansão já daria à WeVets um market share de cerca de 4%. 

Parece muito, mas é uma fração do mercado americano. Para efeito de comparação, a VCA — a maior rede de hospitais veterinários do mundo — tem 2.000 hospitais apenas nos Estados Unidos e no Canadá. 

“O processo de profissionalização do setor ainda é muito incipiente no Brasil, então as escalas são pequenas mesmo,” disse Bruno Levi D’ancona, o sócio da TreeCorp. “Separamos o setor em duas ondas. A primeira foi a consolidação da parte de produtos e de produtos saudáveis. Agora, é a vez dos serviços e da saúde.”

Os fundadores dizem que a WeVets tem uma vantagem em relação a players como a Seres por ser independente de um player de varejo — o que permite que a clínica de bairro veja a empresa como um parceiro.

“O veterinário de bairro ganha dinheiro com a clínica, com o varejo e com o banho e tosa, que é o principal,” disse Rodrigo. “Ele não vai querer indicar o paciente dele para a Seres porque quando ele chegar lá, ele pode acabar preferindo usar a clínica deles, dar o banho lá e comprar os produtos na Petz. Com a gente, não tem nenhum conflito. Pelo contrário, ajudamos eles a ganhar dinheiro.”

A WeVets criou um programa chamado VetFriendly, que dá incentivos aos veterinários que indicam seus pacientes aos hospitais da rede — alavancando ainda mais essa vantagem competitiva.

Hoje, o VetFriendly já é um dos principais canais de originação de clientes, junto com os particulares. Diferentemente dos hospitais para humanos, os planos de saúde ainda têm uma penetração mínima. 

A WeVets “está fazendo o trabalho que ninguém quer fazer, ir de hospital por hospital, conversar com cada dono…” disse Bruno. “Todo mundo quer uma rede de 800 hospitais no Brasil, mas ninguém quer fazer esse trabalho de construir peça por peça.”