Grandes redes de cafeterias como o Starbucks e a Costa Coffee sempre apostaram numa fórmula simples mas vencedora: conveniência, experiência e cafés misturados com chantilly, leite e outros produtos que mascaram o sabor do próprio café.

Mas a qualidade do grão nunca foi o forte dessas empresas.

Pelo menos, é o que acha Alexandre Fertonani, um dos fundadores da rede brasileira de cafeterias The Coffee, que tem bombado em cidades como São Paulo e Curitiba.

“Tanto isso é verdade que a Starbucks criou recentemente o Starbucks Reserve, um tipo de loja deles que entrega um café de melhor qualidade,” Alexandre disse ao Brazil Journal. “Não existe nenhuma rede enorme e consolidada olhando para a qualidade do café.”

A The Coffee quer ocupar este espaço, criando uma marca global que seja sinônimo de cafés especiais. 

Para isso, a rede quer acelerar sua expansão internacional. A The Coffee já está presente em Lisboa, Madrid, Valência, Barcelona e Paris e, recentemente, abriu sua primeira loja na Colômbia, em Bogotá. 

A empresa tem 10 lojas no exterior de um total de 150. Até o final do ano, o plano é chegar a 40 lojas fora do Brasil – com foco na Europa – e um total de 330. 

A expansão da The Coffee tem sido feita principalmente com franquias, ainda que a empresa abra lojas próprias em pontos estratégicos.

Na Europa, a empresa optou por criar uma estrutura própria em vez de fechar um acordo com um master franqueado. 

“Foi um investimento bem grande para montar uma equipe própria, e abrimos um centro de torra lá também,” disse Alexandre. “Acreditamos muito no potencial da Europa, então achamos que jogar na mão de um master franqueado não seria a melhor decisão.”

Já em outros mercados – como Colômbia, México e EUA – a ideia é fechar parceria com um player local. 

A The Coffee foi fundada no final de 2017 por três curitibanos, os irmãos Fertonani: Alexandre, um ex-diretor comercial da Latam Airlines; Luís, que é designer e ficou responsável por toda a identidade da marca; e Carlos, que é CEO da empresa.

Os três sempre sonharam em abrir uma cafeteria e começaram a discutir a ideia todo domingo nos almoços de família. 

“Começamos a pensar em como fazer o negócio, onde ia ser o primeiro ponto, qual seria o conceito da empresa… todo o plano de negócios,” disse Alexandre.

Desse brainstorm nasceu a primeira unidade da The Coffee: um pequeno espaço de menos de 9 metros quadrados que ficava no vão entre dois restaurantes no centro de Curitiba. O design é minimalista, inspirado nas cafeterias japonesas (veja a foto acima). 

A loja foi um sucesso e, um ano depois, os irmãos já abriam a segunda unidade. 

A rede opera com cinco formatos: a street (12 m²), a híbrida (25 m²), a mall corner (24 m²) e mall store (40 m²), e a modular (um contêiner instalado em estacionamentos).

Hoje, as 150 lojas da The Coffee faturam cerca de R$ 5 milhões/mês – um faturamento anualizado de R$ 60 milhões. Com o plano de expansão, a expectativa é fechar o ano com um faturamento de R$ 100 milhões.

O modelo de negócios da The Coffee permite à franqueadora ficar com um share maior do faturamento total do que a maioria das outras redes.  “Além dos royalties e da taxa de franquia, a gente ganha com a venda dos insumos e do software, já que o ERP que as lojas usam é nosso,” disse o fundador. 

Como o custo da mercadoria vendida (CMV) das lojas gira em torno de 30%, a franqueadora já fatura isso na cabeça. Com as outras receitas adicionais, Alexandre diz que a empresa fica com 40-50% do faturamento total. 

Desde que foi fundada, a The Coffee levantou US$ 5,5 milhões em duas rodadas de capital com fundos como a Monashees, Shift Capital, Norte Ventures e AirAngels.