Na entrevista que deu à Agência Estado, na qual afirmou que Bolsonaro “nunca mais terá o meu voto,”  Luis Stuhlberger disse que o nome de centro “mais viável” é o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite — uma intuição compartilhada por 9 de cada 10 grandes empresários.

“Nos outros, vejo mais problemas,” disse o gestor do Fundo Verde. “Do ponto de vista dos candidatos mais ao centro, uma coisa é enfrentar o Bolsonaro. Outra é enfrentar o Bolsonaro e o Lula. O Dória e o Luciano Huck têm muito a perder se tiverem poucos votos. Mesmo se perder, Leite é novo e seu nome se tornaria conhecido nacionalmente para, em 2026, ter mais chances. Ele é um candidato bom, que está fazendo um governo muito bom. Mas outros podem entrar na corrida. O Doria, não só por ter feito a Coronavac como pelo esquema das vacinação, vai sair vitorioso (em termos políticos).”

Para Stuhlberger, existe “90% de certeza” de que o segundo turno será disputado entre Bolsonaro e Lula.

“Se tivéssemos um único candidato do centro, haveria três disputando o primeiro turno, com uma chance de uma alternativa a Lula e Bolsonaro ir para o segundo turno. Mas, na prática, isso não existe. Os empresários — e eu estou junto a eles — estão literalmente apavorados com a hipótese de ter de escolher num segundo turno entre Bolsonaro e Lula no ano que vem.”

Stuhlberger, que votou em Bolsonaro em 2018, disse que num segundo turno entre Bolsonaro e Lula em 2022, “vou ter de votar em branco, porque não há mal menor entre os dois.”

Mas completou a resposta dando a entender que ainda tem esperança de que Bolsonaro mude.  “É um recado para o presidente, no sentido de que melhore, porque há muitas pessoas e eleitores que pensam como eu.”

Sobre o fim da pandemia no Brasil, Stuhlberger explicou o custo do negacionismo do Governo:

“O problema é que vamos começar a importar vacinas — que até agora eram produzidas no Brasil com insumos vindos de fora — com 6 a 9 meses de atraso. Podíamos ter tido a Pfizer entregando 20 milhões de vacinas no Brasil em janeiro. Foi uma chance que o Brasil jogou fora. Em janeiro, fevereiro e março, 50 milhões de pessoas podiam ter sido vacinadas, mas fomos para o fim da fila.

E fez a conta:

“O custo do atraso é tranquilamente de 1,5% a 2% de perda no PIB este ano, algo em torno de R$ 130 bilhões a R$ 140 bilhões. Se for somado ao custo do auxílio emergencial, pode-se falar numa perda de R$ 200 bilhões no ano. Era muito melhor ter gasto esse dinheiro em vacinas.”