Depois de três meses abrindo, os yields das debêntures incentivadas de infraestrutura voltaram a fechar de maneira significativa este mês.

A compressão foi de cerca de 35 pontos-base, de acordo com o Idex-Infra da JGP, que acompanha esse mercado e é composto principalmente por títulos triple-A. 

Atualmente, as debêntures de infra negociam com um spread médio negativo de 16 pontos-base em relação às NTN-Bs com vencimento similar – o maior spread negativo desde outubro, em meio ao estresse criado pela possibilidade de taxação desses papéis.

O fechamento das taxas agora se deve à falta de oferta para atender a demanda crescente por ativos atrelados a juros reais, diversos gestores disseram ao Brazil Journal.

“Existe um consenso entre alocadores de que há muita gordura no juro real,” disse Alexandre Muller, sócio responsável por crédito privado na JGP. “As debêntures de infra são um jeito eficiente de ter exposição a isso por conta da isenção fiscal, então a procura é enorme.”

Ao mesmo tempo, a oferta diminuiu, porque os emissores aproveitaram o fechamento das taxas entre setembro e outubro para captar em condições melhores e fazer a gestão dos passivos antes do ano eleitoral, disse Jean-Pierre Cote Gil, gestor de crédito na Vinland. 

O ano passado marcou um recorde de novas emissões de debêntures incentivadas: o total chegou a R$ 178 bilhões, ante R$ 135 bilhões em 2024 e R$ 68 bilhões em 2023. 

Pela primeira vez, o estoque desses papéis – um total de R$ 523 bilhões – superou o estoque de empréstimos do BNDES, que somou R$ 462 bilhões, segundo dados compilados pela Root Capital até outubro (as concessões do BNDES também vêm crescendo, mas num ritmo menor).

Janeiro é um período tradicionalmente fraco para novas emissões no mercado de capitais, mas este mês está particularmente parado: segundo executivos de mercado, houve menos da metade das operações registradas em janeiro de 2025. 

Num painel na Latin America Investment Conference, do UBS, ontem em São Paulo, Pierre Jadoul, da ARX, afirmou que o mercado começa a entrar em níveis de taxa “meio irracionais”.

Segundo a Vinland, as taxas estabilizaram nos últimos dias, mas um equilíbrio mais consistente depende do fluxo de emissões nas próximas semanas. 

Olhando para o médio prazo, é difícil apontar o patamar sustentável de taxas num mercado que sofre com a volatilidade ligada ao cenário macro. 

Em tese, os papéis privados deveriam ser emitidos pagando taxas mais altas que os títulos públicos, porque o risco é maior. 

Mas a isenção fiscal e a forte demanda por produtos de renda fixa levou os investidores a aceitar taxas menores em 2025. 

A dúvida é como esse mercado vai se comportar quando o juro real diminuir. 

“Uma coisa é aceitar um desconto em relação à NTN-B quando a debênture está pagando inflação mais 7%. Mas, se voltarmos aos níveis mais razoáveis de 4% ou 5%, o investidor pode exigir um prêmio,” diz um gestor.