A Simpar saiu do prejuízo e reportou um lucro no quarto tri e no ano fechado, com a última linha ficando acima do consenso.
A dona de empresas como JSL, Movida, Automob e Vamos reportou um lucro líquido ajustado de R$ 82 milhões no quarto tri, ante um prejuízo de R$ 214,5 milhões no mesmo período do ano anterior.
No acumulado do ano, o bottom line veio em R$ 548 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 280 milhões em 2023.
Segundo o CEO Fernando Simões, depois de investir R$ 40 bilhões nos últimos quatro anos, a Simpar está entrando na fase da colheita.
“Entramos numa fase de consolidação e extração de valor com muita responsabilidade – e o mercado já começa a reconhecer isso,” Simões disse ao Brazil Journal.
A Simpar não forneceu guidance, mas Simões disse que a empresa deve reduzir seu nível de capex nos próximos anos. Somente em 2024, a holding investiu R$ 10,4 bilhões.
Segundo o CEO, é natural que com a diminuição dos investimentos as margens melhorem nos próximos trimestres, sem afetar tanto o crescimento.
O executivo disse que parte do capex investido em 2024 só aparecerá nos resultados este ano e nos próximos, e que o foco da companhia agora vai ser investir mais em renovação dos ativos (como as frotas da Movida e da Vamos), o que deve impactar menos o balanço.
“A renovação gasta muito menos do que a construção, então vamos ter um capex muito menor, mas com uma receita maior e melhoria nas margens,” disse.
A receita bruta da holding chegou a R$ 11,9 bilhões no quarto tri, uma alta de 23% em relação a 2023. O consenso esperava R$ 10,7 bilhões.
Em 12 meses, o top line chegou a R$ 45,2 bilhões, uma alta de 27%.
Já o EBITDA subiu 32% no tri e chegou a R$ 2,75 bilhões – R$ 10,5 bilhões no ano, um aumento de 28% em relação a 2023.
O número veio abaixo do consenso, que era de R$ 2,9 bilhões.
“Respeito a posição do mercado, mas tivemos um recorde de crescimento de um ano sobre o ano anterior,” disse Simões.
Dentre as empresas da Simpar, a Movida e a Vamos tiveram os maiores crescimentos de receita no tri – 30,3% e 22,1%, respectivamente.
Quando o assunto é EBITDA, a Automob foi o destaque com uma alta de 89% nessa linha, enquanto a Movida teve alta de 43,7% ano contra ano no trimestre encerrado em dezembro.
Mesmo com uma maior geração de caixa, a empresa teve uma redução pequena da sua alavancagem – queda de 0,1x tri contra tri, chegando a 3,6x, ainda abaixo do teto dos covenants, que é de 4x.
Simões enxerga espaço para cair abaixo de 3x nos próximos trimestres.
A ação da Simpar vem apresentando uma recuperação em 2025, com uma valorização de 34% desde janeiro – especialmente após resultados positivos de suas controladas. Mas o papel ainda acumula uma queda de 40% nos últimos 12 meses.
A empresa vale R$ 4 bilhões na B3.