Quem já fez um exame admissional conhece a chateação: você tem que achar uma clínica próxima, marcar horário por telefone ou email, fazer o exame presencialmente e depois levar o resultado até a empresa. 

Do lado do RH, a experiência também não é das melhores: um funcionário tem que fazer o meio de campo entre a clínica e os novos colaboradores e, depois que o exame chega, subir manualmente todas as informações no sistema do Ministério do Trabalho.

Para tentar mudar essa lógica — injetando inovação num setor analógico, fragmentado e que não tem nenhum estímulo para a mudança — um grupo de empreendedores montou a Salú, uma startup que acaba de levantar R$ 12 milhões para acelerar o crescimento de sua base de clientes e o desenvolvimento do produto. 

“Estamos tirando essa responsabilidade do colo do RH e fazendo tudo por ele,” René Neme Neto, o CEO e cofundador da Salú, disse ao Brazil Journal. “O RH vai ficar apenas apertando alguns botões e a gente executando tudo.”

A rodada seed foi liderada pelo Softbank e teve a participação da Aggir Ventures, a gestora de Romeu Domingues Cortes, e da Norte Ventures. Também participaram investidores-anjo como Vitor Asseituno, o fundador da Sami, e Felipe Lourenço, da iClinic.

Para o funcionário, a solução da Salú permite agendar os exames digitalmente e controlar suas obrigações num painel; para o RH, automatiza boa parte da burocracia que é hoje feita por pessoas.

A Salú oferece ainda a opção da empresa contratar um médico para fazer os exames in loco ou criar um ambulatório próprio dentro de sua sede, que será operado pela startup. 

Com pouco mais de um ano de vida, a Salú já presta esse serviço para 108 empresas — incluindo startups como o C6, Olist e Loft e empresas de setores tradicionais como a Viveo. Todos os clientes somam mais de 30 mil vidas, número que deve subir para 120 mil até o final do ano. 

A startup vende seu produto no modelo de SaaS: as empresas pagam um fee mensal por vida, que varia de acordo com as soluções que a empresa contratar. 

A visão de longo prazo dos fundadores é transformar a Salú num ‘one-stop shop’ de saúde para as empresas — usando a saúde ocupacional apenas como uma porta de entrada (com CAC baixo) para o RH das companhias. 

“É um setor que tinha uma lógica centrada no prestador, porque a lei obriga as empresas a contratarem o serviço,” disse André Boff, o outro fundador. “Na nossa visão a reserva de mercado só nos ajuda a existir. Para me perpetuar nas empresas eu preciso inverter a lógica e eu servir o RH e não o contrário.”

O plano da Salú é ser uma plataforma de saúde, com várias soluções, disse Ricardo Silveira, o terceiro fundador. 

E a startup já começou a acrescentar novas peças: criou uma solução para ajudar pacientes de doenças crônicas no tratamento e acompanhamento de sua condição, e uma plataforma que permite que os usuários vejam seu histórico com os planos de saúde.