Está rico ‘no papel’ mas quer ver a cor do dinheiro?

Seus problemas acabaram.

Uma nova fintech está tentando criar liquidez para as ações de startups de late stage conectando duas pontas: funcionários, ex-funcionários ou investidores que querem vender parte de sua posição com clientes das principais plataformas de private banking e wealth management do País. 

“Tem muitos funcionários ou ex-funcionários de startups que são paper-rich, but liquidity-poor,” Carlos Naupari, o cofundador da VELVT, disse ao Brazil Journal. “No papel, são multimilionários, mas ainda moram num apartamento de um quarto.”

Ao mesmo tempo, os investidores sofisticados estão buscando cada vez mais fazer investimentos alternativos, como venture capital. 

A VELVT está criando uma plataforma que vai permitir que esses investidores participem de investimentos pré-IPO com um tíquete mínimo de apenas US$ 50 mil — dando acesso a negócios que hoje dificilmente acontecem e que, quando saem, demandam investimentos mínimos da ordem de US$ 5 milhões. 

Para tirar a ideia do papel, a VELVT acaba de levantar uma rodada de seed money de R$ 17 milhões, liderada pela Global Founders Capital (GFC). A capitalização também teve a participação dos fundos Headline (o antigo Redpoint eVentures), Yolo Ventures (uma gestora europeia que é dona do Sports Bet), e a Armyn Capital. 

Para “evangelizar” o ecossistema, a VELVT também trouxe para o cap table 16 fundadores de unicórnios da América Latina, Índia e Estados Unidos — incluindo Edward Wible, do Nubank; e Patrick Sigrist, do iFood e Nomad. 

A VELVT espera começar a operar no segundo trimestre do ano que vem com dois serviços: um marketplace onde os private bankers poderão encontrar as ofertas de startups e oferecê-las a seus clientes, e o modelo chamado de “secondary as a service.”

Nessa frente, a VELVT vai cuidar de todo o processo de venda de participações das empresas clientes no mercado secundário.

“O RI dessas empresas fica recebendo toda hora pedidos de ex-funcionário querendo vender uma participação aqui, outra ali,” disse Edouard de Montmort, o outro fundador. “O nosso serviço vai resolver esse problema: vamos fazer a gestão de leilões que podem ser trimestrais, semestrais, ou anuais, dando liquidez para essas pessoas.”

Segundo ele, as empresas enxergam valor nisso por dois motivos. 

Primeiro, isso ajuda a atrair e reter talentos, já que com esses leilões periódicos de ações o funcionário vê mais valor no programa de stock option. Segundo, porque a empresa “terá um pulso real de quanto o mercado está disposto a pagar pela empresa naquele momento pré-IPO.”

Nesse modelo, a VELVT vai cobrar da empresa um valor pelo serviço e ficar com uma pequena comissão de tudo que for transacionado na plataforma. 

No marketplace tradicional, ela vai ganhar com a taxa de gestão e performance dos fundos que ela criar para reunir todos os investimentos e efetivar o aporte.

A VELVT já está testando o modelo com algumas transações. Em setembro, ela comprou ações de alguns ex-funcionários do Nubank, que venderam em torno de 20% a 50% de suas participações. Logo depois, fez o mesmo processo com a Open, um banco digital da Índia que também está se preparando para um IPO. 

O modelo que a VELVT está trazendo para a América Latina já existe em mercados mais maduros de VC.

Nos EUA, os principais benchmarks da brasileira são a Carta, avaliada em mais de US$ 7 bilhões numa rodada recente, e a Forge, que está prestes a fazer um IPO fundindo-se com um SPAC. 

Na Europa, a grande inspiração é a MoonFare, que opera apenas com cotas de fundos de private equity mas “tem a melhor UX de todas as empresas do setor,” segundo Edouard. 

Na América Latina, os fundadores dizem que são os primeiros a criar algo do tipo, e o plano é evoluir a plataforma para uma oferta completa de ativos ilíquidos, não apenas startups late stage.

“Hoje o ativo mais quente do mercado é venture capital. Estamos usando esse ativo para construir uma plataforma de distribuição de recursos para abastecer essa demanda por late stage,” disse Carlos. “Mas sabemos que em algum momento essa demanda pode migrar para fundos de private equity, para real estate… nossa ideia é incorporar o melhor que tem de tecnologia para darmos aos investidores acesso a investimentos ilíquidos de modo geral.”