Primeiro foi a batalha das canetas. Agora vem a guerra das pílulas.

No início do ano, chegou às farmácias a versão em comprimido do Wegovy, da dinamarquesa Novo Nordisk. Agora a Food and Drug Administration (FDA) acaba de aprovar um medicamento para controle de peso chamado Foundayo, o medicamento similar da americana Eli Lilly – a dona do Mounjaro e do Zepbound.

A Novo foi a primeira a colocar no mercado as drogas GLP-1, que imitam o funcionamento de hormônios que controlam o açúcar no sangue e desaceleram a digestão – e, como consequência, reduzindo a compulsão por doces e outros alimentos. Foram medicamentos originalmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes, mas que se revelaram altamente eficazes no combate à obesidade.

A Lilly chegou depois, mas hoje é líder de vendas no mercado de canetas emagrecedoras. Para os analistas, é provável que a americana assuma também a dianteira no comércio da versão em pílulas.

O comprimido de Wegovy deve ser tomado uma vez ao dia, em vez da aplicação semanal da versão injetável. O medicamento precisa ser ingerido pela manhã, com o estômago vazio.

O Foundayo também é de uso diário, mas pode ser tomado a qualquer hora do dia, da maneira que for mais conveniente para os pacientes, e sem restrições de bebidas ou alimentos.

“É um grande momento,” disse Dave Ricks, CEO da Eli Lilly, em entrevista à CNBC. “Estamos trabalhando nessa categoria de medicamentos há algum tempo, desde o primeiro medicamento GLP-1, há 20 anos. Teremos uma opção que não é mais eficaz, mas é mais acessível, é mais fácil de incorporar à rotina diária.”

O lançamento da pílula ajudou na recuperação da ação da Lilly, que fechou hoje em alta de 3,8%. No ano, o papel acumula perda de 11%.

O novo medicamento na verdade é o princípio ativo orforglipron, desenvolvido pela japonesa Chugai e que foi licenciado pela americana em 2018, pagando apenas US$ 50 milhões adiantados pelos direitos globais. O princípio ativo do Mounjaro e do Zepbound é a tirzepatida.

O comprimido da Lilly apresentou uma redução média de 12,4% após 72 semanas. Já um estudo com o comprimido de Wegovy – cujo princípio é a semaglutida, o mesmo da versão em caneta – apontou uma perda média de 16,6% do peso corporal após 64 semanas. Nas versões em canetas dos dois laboratórios as perdas de peso são mais expressivas, acima de 20%.

A Lilly não acredita que a menor eficácia em relação à versão oral do Wegovy terá impacto relevante em suas vendas na disputa com a dinamarquesa.

“Tudo se resume à simplicidade e à praticidade,” disse Lucas Montarce, diretor financeiro da Lilly, em entrevista ao Wall Street Journal. “Você não precisa se preocupar se bebeu água ou comeu algo nos últimos 30 minutos.”

As pílulas de Wegovy já se revelaram um enorme sucesso. O total de prescrições já soma 600 mil.

Ambas as farmacêuticas estipularam o mesmo valor para o medicamento, com um custo mensal de US$ 149. Em doses maiores, o preço mensal fica em US$ 349. O preço no mercado americano faz parte de um acordo fechado no ano passado com o Governo Trump.

Para pessoas com seguro de saúde os preços podem ser significativamente mais baixos, caindo para US$ 25 ao mês.

As injeções, quando começaram a ser vendidas, custavam até US$ 1.350 ao mês.

A consultoria Evaluate, especializada na indústria farmacêutica, estimou que o Foundayo deverá trazer uma receita de US$ 21 bi até 2030. No mesmo período, o concorrente da Novo deverá ter vendas de US$ 4 bi.

Já os números de analistas compilados pela FactSet projetam, em média, vendas de US$ 14,8 bi para o Foundayo até 2030. Em comparação, segundo a CNBC, as expectativas são de US$ 24,7 bil para o medicamento para perda de peso Zepbound e de US$ 44,9 bilhões para o Mounjaro, comercializado para diabetes nos EUA e para obesidade e diabetes no resto do mundo.

No ano passado, as vendas das drogas injetáveis de perda de peso totalizaram US$ 26 bilhões em 2025.