12 de mar, 2026
A desigualdade brasileira começa muito cedo — e o País ainda resiste a avaliar, com rigor, as políticas públicas para combatê-la. Esse é o diagnóstico da economista Fernanda Estevan, professora da FGV, no novo episódio do videocast Lado B, apresentado por Marcos Lisboa.
Doutora em Louvain (Bélgica), Estevan diz que muitas desigualdades surgem antes da entrada das crianças na escola: “começam dentro da barriga da mãe”. Lisboa contou bastidores de quando participou da formulação do Bolsa Família, que incorporou exigências de frequência escolar e vacinação: “Políticas não condicionadas têm um impacto muito menor nas crianças do que as políticas condicionadas,” disse ele.
Estevan também apresentou seu trabalho sobre desigualdade de gênero. Em estudo que combina dados do vestibular da Unicamp com informações da RAIS, ela encontrou indícios de que a principal origem do diferencial salarial está na escolha de carreira. Quando esse fator é controlado, “a diferença de gênero cai cerca de 60%,” diz.
No final da entrevista, Estevan defendeu a diversidade nas universidades e criticou a dificuldade brasileira em definir objetivos claros— o que torna sua avaliação ainda mais difícil: “Quando me perguntam se as cotas funcionaram, eu respondo: ‘funcionaram para quê?’ Me diz o que você queria fazer com elas que eu te digo se funcionaram ou não.”
Para Estevan, o País acumula boas ideias e experiências bem-sucedidas em educação e políticas sociais. O problema é a velocidade: “Tudo o que a gente fez neste país aconteceu de maneira lenta e frustrante.”
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